Mário Tourinho

Administrador, pós-graduado em Planejamento Operativo, já atuou na administração pública federal, estadual e municipal


A “dica” de Gonzaga para andarmos de bicicleta e/ou a pé

Li, como sempre o faço, a opinião de nosso cronista-mor, Gonzaga Rodrigues, que publica aos domingos no jornal A União.

No artigo mais recente apontou que o melhor para a qualidade de vida dos pessoenses é “todos a pé ou de bicicleta”. Essa “dica” advém, claro, em função do atual quadro de pandemia a que estamos submetidos, pelo que ele – Gonzaga Rodrigues – observa “sentirmo-nos impotentes diante de cenas de contágio em massa como acontecem, ostensivamente, nas estações de embarque e desembarque do transporte urbano”, ocorrendo “um aglomerado imprevidente a querer passar de dez numa porta para um” e com “falas e queixas respirando por uma boca só”. E depois de sugerir aos governos e até à própria OMS para fomentarem, “por todos os meios, o uso massivo de bicicletas” e deixando os ônibus “para os idosos de pouco fôlego e os deficientes”, destaca que aqui em João Pessoa “as principais avenidas estão servidas de ciclovias”.

A boa sugestão de Gonzaga é de difícil aplicabilidade na João Pessoa de hoje em que o município, com seus mais de 800 mil habitantes, cerca de 25% deles depende do transporte coletivo urbano para seu vai-e-vem de todos os dias, especialmente porque, como cidade, fomos crescendo, crescendo, crescendo… sem um plano controlador desse crescimento. Nem mesmo cidades como Belo Horizonte, Curitiba e Brasília, que tiveram e têm um plano diretor rigoroso, não conseguem deixar que o transporte coletivo urbano seja só para os idosos e deficientes. Tomemos, por exemplo, nossa avenida Rui Carneiro que de ponta a ponta está com ciclofaixa: – esta ciclofaixa não é utilizada sequer por uns 50 ciclistas por dia. Lá, nessa artéria, sobem/descem mais de 50 ônibus por dia, cada um desses ônibus transportando 40 passageiros, ou seja, transportando 2.500 pessoas com esse ínfimo quantitativo de ônibus. E aí, sem a utilização dos ônibus como hoje ocorre, imaginemos 2.500 ciclistas em seu vai-e-vem naquela artéria!… Seria, ou não, um “Deus nos acuda!”?!…

A “Cidade das Bicicletas”, exemplo para o mundo, é Amsterdam, na Holanda. Conta com quase um milhão de bicicletas, número ligeiramente maior que o de seus habitantes. Vai pra escola? – Bicicleta! Vai para o trabalho? – Bicicleta! São tantas as bicicletas que para suas ciclovias há rigoroso controle de trânsito, inclusive, principalmente, os semáforos para evitar “batidas”. Nessas bicicletas as pessoas transitam até no estilo formal, portanto de paletó e gravata!… O clima permite que assim seja. A temperatura média é de 10 graus. E o relevo é quase todo horizontal.

Aqui em João Pessoa há alguns bem poucos adeptos do uso da bicicleta inclusive para o trabalho. Desses alguns já houve declaração de que levam uma outra roupa para, chegando ao trabalho, tomar banho e vesti-la em substituição àquela usada nesse transcurso, porque, sob uma temperatura média de 25 graus, ao trabalho chega suado e a roupa também!…

Realmente não é fácil aplicar-se o uso da bicicleta para o trabalho e a escola em uma cidade como João Pessoa!… Mas, “não deixemos a ideia morrer”. Por isto, voltaremos ao assunto proximamente.

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