O projeto de lei apresentado ontem pelo vereador Raoni Mendes (PDT) determinando a obrigatoriedade do uso do SUS como atendimento único para todos os ocupantes de cargos definidos em eleição, no município de João Pessoa. Isso inclui os vereadores, prefeito e vice-Prefeito. Na abertura da sessão, o vereador Sérgio da SAC (PSL) criticou a atitude de Raoni e disse que a proposta seria "demagógica".
O vereador se defendeu e disse que sua intenção era forçar o serviço público de saúde a atender melhor a todos os cidadãos, sejam eles políticos ou contribuintes comuns.
Na sequência, Fernando Milanez (PMDB) disse que a proposta de Raoni colocava a população contra os vereadores e disse que uma atitude mais eficaz para melhorar a saúde seria a entrega de todos os cargos comissionados indicados pelos vereadores na estrutura da prefeitura de João Pessoa para que os valores fossem aplicados na rede municipal de saúde.
– Pode apresentar sua proposta que eu assino, vereador – concordou Raoni.
Em aparte, Lucas de Brito (DEM) fez uma provocação ao colega:
– A proposta de Raoni é vanguardista, como a de Ruy Carneiro foi em relação ao 14º e 15º salários. Ruy deu o exemplo mesmo antes de votarem a matéria. Se o vereador defende com sinceridade essa proposta, ele deveria também dar o exemplo, inclusive se ele for deputado estadual deverá apresentar o projeto também no legislativo estadual caso seja eleito.
Raoni garantiu que deixará de ser cliente de plano de saúde caso a proposta seja aprovada na Câmara de João Pessoa.
– Eu pago quase R$ 600 de plano de saúde. Desafio qualquer vereador a procurar o SUS. Não tem um que vá. Esse tipo de projeto não seria nem para ser apresentado aqui na Câmara – retrucou Chico do Sindicato (SDD).
Também incisivo foi Djanilson da Fonseca (PPS):
– Eu tenho três carros e quero comprar mais um. Não vou apresentar um projeto para que os vereadores sejam obrigados a andar de ônibus. Devemos lutar para melhorar a qualidade de vida da população sem piorar a nossa. Eu moro muito bem. Tenho uma casa com quase 500 metros, piscina… e não preciso morar numa favela para que o povo tenha uma casa melhor. Não vou dizer que vossa excelência está sendo demagogo, mas não concordo com sua proposta.
O médico Luiz Flávio (PSDB) disse que a proposta não seria aprovada na Comissão de Constituição e Justiça:
– Não podemos obrigar ninguém a nada. Isso não é constitucional. A discussão está sendo feita, mas sua proposta é extremamente demagógico e expõe a classe política já tão desgastada! Eu atendo no PAM de Jaguaribe no setor de pequenas cirurgias, mas isso deve ser uma opção e não uma obrigação.
Raissa Lacerda (PSD) também discordou:
– Eu posso pagar um plano e se eu deixar meu plano, vou para a rede pública tirar uma vaga de quem não pode pagar. Vou para a fila ocupar a vaga de quem necessita. O projeto é 100% inoportuno!