A sala de pouco mais de 20 metros quadrados mantida pelo Senado na área de embarque do Aeroporto Internacional de Brasília, num corredor com outras quatro salas, é a única protegida por vidro espelhado, impedindo a visão do que acontece lá dentro.
Situada entre a seção de achados e perdidos e um posto do BB Turismo, a sala não tem janela nem ar-condicionado. Conta apenas com um ventilador simples para espantar o calor dos funcionários engravatados do Senado que lá trabalham e não ganham menos que R$ 15 mil mensais.
SEGURADORES DE PLACA
Pouco depois do meio-dia da última terça-feira (7), dois seguradores de placa saem da pequena sala em direção ao desembarque. Antes, um deles, apelidado de Bem-te-vi pelos colegas, beija gentilmente a mão de uma das funcionárias da TAM.
Caminham sem pressa até a parte interna do desembarque, checam atentamente o painel com os voos que acabaram de aterrissar e ficam prontos para sua função: posicionar estrategicamente seus papeis com nomes de convidados para audiências de comissões.
Minutos depois, chega o presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª região, desembargador federal Newton de Lucca, que seria empossado numa comissão de juristas destinada a discutir um novo Código Comercial.
Ao sair, é apresentado pelo funcionário do Senado ao motorista que o acompanhará até a Casa. O desembargador, no entanto, dispensa o serviço e fica com um motorista de sua confiança.
Pouco depois, é a vez do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Mas o nome dele não estava no papel. Os funcionários são ignorados pelo líder do PSB, que se dirige imediatamente para seu carro, com seu motorista.
Nove funcionários, com salários entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, trabalham na sala, divididos em turnos. São lotados na Coordenação de Apoio Aeroportuário.
O Senado, que defende o serviço de "receptivo de autoridades", informou ontem, em nota oficial, que suprimiu funções gratificadas e vedou o pagamento de horas extras a esses funcionários.
Folha Online