PF apura se esquema utilizou rádios para lavagem de dinheiro

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A Polícia Federal suspeita que o grupo organizado por Paulo Viera, ex-diretor da ANA (Agência Nacional de Águas), tenha usado rádios e uma empresa com o mesmo endereço da faculdade controlada pela família em Cruzeiro (SP) para lavar dinheiro obtido com o tráfico de influência em órgãos da União.
 
A empresa de Cruzeiro, cidade no Vale do Paraíba, é registrada em nome de Vieira e um cunhado, que também aparece como "dono" de uma outra firma, em sociedade com a mãe do ex-diretor da ANA em Condeúba, na Bahia.
 
Até os nomes são similares: a empresa de Cruzeiro se chama P1 Serviços e a da Bahia, P1 Serviços de Comunicação, da mãe de Vieira e de Manuel Ribeiro do Nascimento Sobrinho, que é casado com uma irmã dele.
 
A PF, com a quebra de sigilo, interceptou e-mails em que Vieira orienta seu grupo a fazer diversos depósitos na P1 Serviços, mas sempre com valores de R$ 9.000, para evitar que a operação provocasse um alerta no sistema bancário e chegasse ao Coaf, o órgão de inteligência financeira do governo federal.
 
A Folha não conseguiu falar com o advogado de Vieira, Pierpaolo Bottini, e deixou recado em seu celular.
 
A cautela do líder da suposta quadrilha não foi suficiente, a ponto de o Itaú, banco em que a P1 Serviços operava, ter cancelado a conta por "falta de transparência". O ofício do banco à empresa foi anexado ao inquérito da PF na operação Porto Seguro, que desbaratou o grupo.
 
De julho de 2011 ao início deste ano, a P1 Serviços movimentou R$ 1 milhão. A PF ainda rastreou, entre outras contas, recursos de R$ 6,2 milhões em despesas supostamente legais e outras colocadas sob suspeita.
 
Um e-mail foi destacado no inquérito: "Peço-lhe para fazer em parcelas de até R$ 9.000", escreve Vieira em e-mail a sua mulher, Andreia Mendonça, e ao irmão Marcelo, em 3 de agosto de 2011.
 
Os "clientes" do grupo, conforme a investigação da PF, também eram informados a proceder da mesma forma.
 
Em um dos e-mails, Viera orienta um escritório de advocacia de Santos, que defenderia os interesses da Teconci (empresa de terminais de contêineres), a depositar R$ 60 mil na conta da P1.
 
A assessoria da Tecondi afirmou que, diante das suspeitas, está "em fase de revisão de todos os procedimentos para verificar atos e documentos antes da aquisição", em referência à operação que transferiu o controle da empresa ao EcoRodovias.
 
"Como há uma nova administração desde junho de 2012, todos os procedimentos da empresa estão sendo revistos e readequados para a governança corporativa exigida", diz a empresa.
 
A engenharia financeira do grupo, segundo a PF, utilizava a rádio SMS e a emissora da P1 Comunicação.
 
Em 2010, a empresa obteve aval do Senado para explorar a radiodifusão em Corumbaíba,em Goiás.
 
Havia, segundo a PF, um plano de expandir a rádio. Por conta as suspeitas, a procuradora da Suzana Fairbanks requisitou em 12 de novembro o bloqueio das contas de empresas do grupo.
 
 
 
 
Folha Online

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