Um terreiro de candomblé foi atingido por 10 tiros disparados por um grupo de faccionados no Bairro das Indústrias, em João Pessoa. O fato aconteceu na noite desse sábado (13) quando os membros do terreiro se reuniam para uma celebração religiosa.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a destruição de toda a decoração e de mesa com comidas e utensílios. Cadeiras ficaram derrubadas pelo chão e vários objetos foram quebrados no Terreiro de Pai Ledy de Omulu.
As informações iniciais são de que homens chegaram ao local ordenando que a celebração religiosa fosse encerrada. Eles teriam disparado tiros para cima.
“Essa não foi a primeira vez e a nossa preocupação é que esse tipo de violência se alastre. porque, infelizmente, o que vemos no Rio de Janeiro, são traficantes que tomam os morros e fazem com que as religiões que não são cristãs ou evangélicas não possam ter permanência nessas áreas e temos que isso possa acontecer em João Pessoa”, disse Saulo Gimenez, coordenador geral do Fórum de Diversidade Religiosa da Paraíba. Ele cobrou ações práticas das autoridades de segurança: “Não precisamos somente de palestras. Precisamos de ações concretas e que as coordenadorias de Igualdade Racial que às vezes tratam as religiões de matriz africana com um certo desdém, que façam seus processos e ajam com respeito”.
O produtor cultural, conselheiro da Igualdade Racial do Recife e administrador do perfil no Instagram Macumba Ordinária, Dom Renatto, manifestou repúdio pelo ato de intolerância religiosa. Ele cobrou ação das autoridades.
“Aí eu pergunto às autoridades da Paraíba: até quando o povo de terreiro daí e de todo o Brasil vai sofrer essa violência. Isso já não dá mais para aguentar. Não podemos aceitar mais sermos perseguidos”, declarou.
A promotora Fabiana Lobo informou que uma Notícia de Fato foi registrada no Ministério Público depois que o ocorrido foi divulgado na imprensa e que a promotoria de Defesa da Cidadania e dos Direitos Fundamentais acompanha as investigações.
Confira no vídeo as imagens da destruição e do depoimento de Dom Renatto