De acordo com o Atlas da Violência 2024, divulgado nessa terça-feira (18), a Paraíba é o estado com a terceira menor taxa de homicídios do Nordeste. Os dados apontam ainda João Pessoa como a capital mais segura do Nordeste. O estudo, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), utiliza dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Datasus, fornecendo dados consolidados até o ano de 2022.
De acordo com o Atlas, a Paraíba registrou em 2022 uma taxa de 27,2 homicídios por 100 mil habitantes, totalizando 1.105 vítimas. Os estados do Maranhão (27,1) e Piauí (24,1) foram os únicos a apresentarem taxas inferiores. Desde 2012, a Paraíba acumula uma queda de 31,3% na taxa de homicídios.
Um dos destaques é a significativa redução em homicídios de jovens, crianças e adolescentes no estado desde 2012, com quedas de 43,2%, 47,1% e 48,7%, respectivamente. No que diz respeito aos homicídios de mulheres, a Paraíba possui a terceira menor taxa do Nordeste, com 4,1 homicídios por 100 mil mulheres, atrás apenas de Sergipe (2,9) e Rio Grande do Norte (3,9). Em 2022, foram registrados 84 casos de mulheres assassinadas, uma redução de 38,7% em comparação a 2012.
O estudo de 2024 também introduziu uma inovação ao calcular estatisticamente os homicídios não registrados no Brasil. O pesquisador do Ipea, Daniel Cerqueira, identificou São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco como os estados com maior quantidade de “homicídios ocultos”. A Paraíba, por outro lado, foi classificada como tendo baixas taxas de homicídios ocultos, com uma variação de apenas 1,1 ponto entre a taxa registrada e a estimada de homicídios.
João Pessoa é a capital mais segura do Nordeste
Além disso, a publicação ressaltou que João Pessoa é a capital do Nordeste mais segura e a décima do Brasil com menor taxa de homicídios. Um aspecto destacado foram as políticas de segurança pública qualificadas, baseadas em evidências e orientadas por resultados, que contribuíram para a redução dos homicídios. Este fenômeno, descrito por Cerqueira (2022) como a “revolução invisível”, enfatizou a gestão eficaz, o aprimoramento da inteligência policial e programas multissetoriais de prevenção à violência, proporcionando alternativas de vida para os jovens vulneráveis.
Outro ponto crucial apontado no Atlas diz respeito à segurança e efetividade dos dados registrados, apontando que João Pessoa (PB) e Florianópolis (SC) foram as únicas capitais a zerarem a estatística de homicídios ocultos, refletindo um bom preenchimento dos dados de homicídios no SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade).