‘Parecia não ter fim’, diz professora que ficou 8 dias presa após erro da Justiça da PB

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Depois de passar oito dias dentro de uma cela num presídio no Rio de Janeiro, uma professora de matemática presa por um crime que não cometeu tenta lidar com as marcas de um erro.

Samara Araújo, 23, voltou para a casa na zona rural de Rio Bonito nesta sexta-feira (1º) após deixar a cadeia feminina de Benfica, na zona norte da capital fluminense.

Já ao lado do filho de dois anos e do noivo, a professora afirma ainda estar abalada. “Eu estou com medo de que de repente eu seja tirada da minha família novamente”, disse.

A jovem foi presa no dia 23 de novembro por suspeita de participar de um crime de extorsão ocorrido em São Francisco, no interior da Paraíba, em setembro de 2010.

As autoridades responsáveis pelo caso, no entanto, não atentaram para o fato de Samara tinha apenas dez anos de idade quando ocorreu o crime.

Por meio de um advogado, a família conseguiu provar o equívoco à Justiça da Paraíba, e a prisão foi revogada no último dia 28.

O juiz substituto Rosio Lima de Melo, da 6ª Vara Mista da cidade de Sousa, decidiu expedir o alvará de soltura reconhecendo o erro.

“Verifico que merece prosperar a argumentação quanto à ocorrência de equívoco na exordial acusatória, na qual consta apenas a identificação por CPF, sem qualquer menção à data de nascimento da acusada”, diz um trecho da decisão.

Segundo a investigação, tudo começou quando um comerciante de São Francisco, no interior da Paraíba, foi ameaçado de morte por telefone. Na ligação, o homem ordenou que fossem feitos depósitos de R$ 1.000 em oito contas diferentes para não ser morto. O comerciante caiu no golpe.

As investigações identificaram os titulares dessas contas e chegaram ao nome da professora. De acordo com a defesa de Samara, o CPF dela foi roubado e usado pelos criminosos para abrir contas bancárias.

Ela foi denunciada pelo Ministério Público da Paraíba e a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça do estado, em 3 de fevereiro deste ano.

Revogação da prisão

Samara dava uma aula particular na casa de um aluno no momento em que foi presa. “Quando recebi a notícia achei que era um sequestro e na mesma hora pedi a identificação dos agentes, mesmo que eles estivessem uniformizados e em carros da Polícia Civil”, contou.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro disse que apenas cumpriu o mandado de prisão expedido pela Justiça da Paraíba, a pedido da polícia do estado nordestino.

O Ministério Público da Paraíba disse que se manifestou favoravelmente pela revogação da prisão preventiva e pela expedição de alvará de soltura assim que foi comunicado dos fatos.

Segundo a Promotoria, foi verificado em outros processos que, na época, um grupo criminoso do Rio utilizou dados de terceiros para movimentar quantias oriundas de extorsão. “No caso, a jovem teve seu CPF citado em investigação policial que detectou o uso do documento na abertura de conta corrente bancária”, afirmou.

Samara dá aulas em uma escola particular de Rio Bonito. Nas redes sociais, compartilha sua rotina de estudos e dicas sobre o tema. Ela acaba de se formar em licenciatura em matemática na UFF (Universidade Federal Fluminense).

Apesar do trauma, a jovem disse que prefere não esquecer o que passou. “Meu desejo de verdade seria esquecer e seguir em frente. Mas eu estaria ignorando as pessoas que conheci e suas dores”, afirmou a professora, que relatou ter dividido a cela com outras 21 mulheres em um dos dias.

O pai de Samara dormiu na porta da penitenciária todos os dias, dentro do carro, até que ela fosse liberada. Ele chegou a pagar uma advogada na porta do presídio para entregar um recado à filha dizendo que a esperava do lado de fora.

“Sem saber o que estava acontecendo, eu ficava desesperada e me deixava levar pelo que estava sentindo por estar sem notícias. Parecia que não teria fim, eu pedia a Deus que se eu pegasse no sono não sonhasse com minha família pois seria muito doloroso acordar e não estar com eles”, disse.

 

Professora é presa no RJ por crime que não cometeu após erro da Justiça da Paraíba

 

Folha Online
Imagem: Reprodução TV Globo

 

Tags

Leia tudo sobre o tema e siga

MAIS LIDAS

Concursadas se acorrentam à prefeitura de Bayeux em protesto pela não convocação

Polícia localiza veículo usado em assaltos, prende foragida da Justiça e realiza flagrante em Campina Grande

Fernando Cunha Lima é condenado a 32 anos por estupro de vulnerável

Anteriores

brasilvisse

Copa do Mundo impulsiona expectativas de faturamento entre empreendedores paraibanos

brazmorrone

Delegado preso por associação ao tráfico pede prisão domiciliar humanitária

@FOTO_EDNALDO_ARAUJO_(83)98726_6840

TJPB aprova anteprojeto do novo PCCR dos servidores do Judiciário

elencopbb

Elenco de Cangaço Novo retorna à Roliúde Nordestina para Festa do Bode Rei

alpbprint

Comissão de Orçamento da ALPB aprova parecer preliminar da LDO 2027

tre-pb

TRE-PB reúne forças de segurança para planejamento integrado das eleições

lucasseds

Lucas Ribeiro apresenta resultados da Segurança e inicia Operação S. João após queda de 55% da violência letal em Campina

leopsb

Leo Bezerra questiona João sobre postura do PSB, que lhe faz oposição

TRESDONORDESTE

Programação do Arraiá Mangabeira segue nesta quinta com show gratuito de “Os 3 do Nordeste”

csm_policia_civil_paraiba_joao_pessoa_23_f2d6c68b06

Polícia Civil prende investigados por estupro de vulnerável praticado no Mercado Central de João Pessoa