O ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, visitou João Pessoa nesta quarta-feira, 10. O compromisso faz parte de um périplo que ele está fazendo para dar sua versão sobre os processos que respondeu relativos ao Mensalão e também à Lava Jato e nos quais as condenações foram anuladas. O petista conversou com a imprensa na tarde de hoje na sede do PT em Jaguaribe e alegou ter sido vítima de lawfare, ou uma perseguição política que utilizou meios jurídicos para punir personagens políticos como ele, José Dirceu, Luiz Inácio Lula da Silva e outros ligados ao PT.
Em março deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar reconhecendo a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR) para julgar o processo da Operação Lava Jato referente a Delúbio, que cumpriu dois anos de prisão por lavagem de dinheiro. O ministro Ribeiro Dantas tornou nula a ação penal, remetendo o processo à Justiça Eleitoral. Essa foi a segunda vitória do ex-tesoureiro do PT, já que em 2021 ele já havia anulado e arquivado uma outra ação penal, também na Lava Jato.
Naquele mesmo mês, a 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo absolveu Delúbio Soares de uma acusação de lavagem de dinheiro no mensalão.
Na Paraíba, Delúbio veio divulgar um manifesto: “Quando a política se vale da Justiça: Delúbio Soares, o réu sem crime” e se disse vítima de um complô orquestrado pelo “PIG”, ou Partido da Imprensa Golpista.
Ao ser questionado sobre qual o pior momento dos últimos 20 anos em que foi acusado de atuar num esquema de corrupção que daria sustentação aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Delúbio ironicamente revelou que o que mais lhe entristeceu foi ter sido expulso do PT. Isso aconteceu em 2005 depois que Roberto Jefferson delatou o escândalo do Mensalão e apontou o então tesoureiro do partido como um dos responsáveis pelo caixa dois que financiou ilegalmente campanhas do PT e seus aliados.
Confira um trecho da entrevista.