Delegado, advogada e policiais abordavam famílias de presos para pagamento irregular de fiança

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O delegado da Polícia Civil Yuri Givago disse hoje (10) que havia um “coloio” entre um delegado da polícia civil em Santa Rita, uma advogada e alguns servidores da 6ª delegacia distrital, no município, para livrar da prisão, de forma irregular, pessoas presas. Eles abordavam as famílias dos presos para pagamento de fiança.

Um dos presos, inclusive, solto graças ao pagamento de uma fiança irregular, não queria sair da delegacia, temendo ser morto. E ele acabou morrendo no mesmo dia, disse o delegado Seccional em Santa Rita, Alexandre Fernandes.

“Foi tão escandalosa a liberação dele da delegacia que a pessoa que estava presa disse: “Eu não posso ser liberado porque eu vou morrer”. Tiraram ele a força da delegacia e não deu tempo nem ele chegar em casa. Fomos encontrar o corpo com cinco dias”, revelou Alexandre Fernandes, que participou da coletiva sobre a Operação Proditor, deflagrada hoje pela Polícia Civil da Paraíba e o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco/MPPB), que teve como alvo um delegado, uma advogada e policiais, acusados de receberem valores indevidos para falsear a verdade em procedimentos policiais.

Segundo o delegado Yuri Givago, o que provocou a investigação foi um procedimento flagrancial que foi convertido em um termo circunstancial de ocorrência, de maneira indevida, no qual houve cobrança de valores para uma suposta fiança.

O procedimento, disse o delegado, sequer foi distribuído para a Justiça e a transação só foi descoberta quando a família do preso procurou a Delegacia Seccional de Santa Rita para denunciar o fato ocorrido.

Entre os parentes do preso que foi solto indevidamente está um policial Militar.

“Diante de informações de que naquela unidade policial estariam ocorrendo fatos inadmissíveis, representamos ao Poder Judiciário e monitoramos a unidade por 15 dias”, disse Yuri Givago.

Durante o monitoramento, segundo ele, foi constatado, através de diálogos entre servidores, de que várias corrupções ocorreram na delegacia. Os servidores conversavam um com o outro sobre fatos que aconteceram em plantões anteriores, a exemplo de um fato que houve de um servidor reclamar do pagamento de R$ 1.500,00 numa corrupção, quando ele, revoltado, recebera apenas R$ 50,00. Outros fatos serão apurados no âmbito da Corregedoria Geral da Polícia.

O monitoramento começou em 2022. Este ano, 2023, constatou-se que três pessoas foram conduzidas a delegacia por tráfico de drogas e uma delas pagou fiança, quando não é cabível o pagamento de fiança no crime de tráfico de drogas, e foi solta, sendo encontrada morta dias depois.

A pessoa morta, segundo o delegado, era de fato traficante, proprietário da droga, e a família dele chegou a pagar o valor da fiança através da advogada. Em liberdade, ele acabou sendo considerado traidor da facção criminosa e acabou sendo assassinado.

O delegado, a advogada e um escrivão foram presos. As demais pessoas que figuraram no monitoramento foram alvos de mandados de busca e apreensão.

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