Vereador quer câmeras para identificar quem abandona e mata animais

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Atendendo a uma propositura do vereador Guga Oliveira (PP), a Câmara Municipal de João Pessoa realizou na tarde desta segunda-feira, 27, uma sessão especial para discutir o descaso ocorrente no Estádio Almeidão, referente aos gatos abandonados que se aglomeram naquele local. Vários protetores independentes de animais compareceram ao plenário Senador Humberto Lucena, bem como representantes da secretaria de Juventude, Esporte e Lazer e da Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa.

“Temos recebido muitas reclamações em relação à situação do Almeidão e queremos resolver esse problema. Há um crescimento do número de abandono de animais e infelizmente há uma matança de gatos. A prefeitura de João Pessoa vem fazendo seu papel, mas precisamos da parceria do Governo do Estado. Em outubro do ano passado, fizemos uma opção pela reeleição do governador João Azevêdo acreditando que ele trabalharia em prol da causa animal. Então, estamos solicitando ao secretário Zezinho Botafogo [Juventude, Esporte e Lazer] uma ajuda. Precisamos ter um sistema de câmeras ao redor do estádio para saber quem são os assassinos e quem abandona os animais. Além disso, precisamos desenvolver ações educativas e de conscientização pelo respeito à vida animal”, disse Guga ao explicar a motivação para a realização do debate. “Temos muitos apelos para socorro aos animais e não temos como atender a todos”, alertou o vereador.

O Diretor de Bem Estar Animal da Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa, Ítalo Oliveira, fez um resumo das ações do órgão e destacou que a capital da Paraíba dispõe de um castramóvel para a esterilização de animais. Além disso, a gestão municipal promoveu a doação de três toneladas de ração para os pets atendidos por protetores independentes cadastrados na coordenadoria. Ele também adiantou que será efetivado um controle populacional de gatos e cachorros em situação de rua.

“Só acabaremos com o abandono de animais, identificando quem faz isso. Precisamos de um sistema de monitoramento para inibir o abandono na região do Almeidão. Sem isso, estaremos enxugando gelo. Castramos, e aí vem alguém e deixa animais na rua e reinicia o ciclo. Essas pessoas que cometem maus tratos são punidas, seja com multas que podem chegar a R$ 50 mil ou com processos criminais”, disse Ítalo. “O Estado não pode se abster dessa responsabilidade. O Almeidão será o foco prioritário de nosso esforço de controle populacional de animais na capital”.

O cenário descrito pelos protetores independentes foi aterrador. Além de gatos em abandono e sofrimento, há fezes e até carcaças de animais mortos. “Muitas pessoas deixaram de passar por lá por causa da fedentina e da tristeza que é. Desde 2019, só piora. Há muitos voluntários, mas todo dia abandonam mais animais no local”, relatou Tainá, ativista da causa animal que atua no Cristo Redentor.

Patrícia Paiva, da Secretaria de Juventude, Esporte e Lazer reconheceu que o problema incomoda os gestores da Pasta. “Fomos intimados numa ação civil pública no ano passado e propusemos que o poder público municipal também comparecesse e avançamos um pouco. Estamos intensificando a limpeza no entorno do Almeidão, mas ainda não é o suficiente e vamos fazer mais”. Patrícia informou, contudo, que o monitoramento solicitado na sessão não seria de competência da Sejel, mas da Secretaria de Segurança a quem já teria sido pedida a implantação dos equipamentos.

A advogada Taísa Lima explicou que a ONG SOS Animais e Plantas ajuizou uma ação civil pública para tentar solucionar a situação de abandono. Ela destacou que numa audiência de conciliação ficou acordada a implantação de câmeras no entorno do estádio e a promoção de uma campanha de esterilização para os gatos que foram deixados na área. “Precisamos de policiamento ostensivo, mas também de câmeras para que quem abandone os animais seja preso e levado para a cadeia. Pelo menos uma noite vai passar na cadeia antes de ir para uma audiência de custódia. Mas, se nada for feito, vamos ter que informar em juízo que o acordo foi descumprido”.

Já a protetora independente Adriana Nóbrega ressaltou que o abandono acontece em diversas áreas da cidade: “Não é exclusividade do Almeidão. Precisamos de abrigos. Eu não tenho condições de pagar por uma consulta no veterinário, mas todos os dias tem animais precisando desse auxílio. O abandono é geral em João Pessoa e são poucas as pessoas que abraçam essa causa”.

Ao concluir sua participação na sessão, o diretor de Bem Estar Animal da prefeitura, Ítalo Oliveira, anunciou que um hospital veterinário municipal será construído em 2024 com orçamento de R$ 5 milhões. “Será uma megaestrutura com cerca de mil metros. Queremos entregar um equipamento eficiente que atenda junto com a clínica veterinária a demanda da população de João Pessoa”.

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