Vala comum e massacre de civis: fotos e relatos de ataques na Ucrânia chocam o mundo

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A invasão russa da Ucrânia volta a causar forte indignação e repúdio nos principais países do Ocidente diante de um novo e chocante relato de atrocidades cometidas pelas forças armadas comandadas por Vladimir Putin no país invadido. A União Europeia, os Estados Unidos e grande parte da comunidade internacional reagiram com estupor às denúncias de massacres cometidos na cidade de Bucha, ao Norte de Kiev.

O governo ucraniano acusa os russos de terem promovido uma matança na cidade, revelada em relatos e imagens após a retirada das tropas de Putin na sexta-feira. Moscou nega.

Imagens de satélite mostram uma vala comum com quase 14 metros de comprimento cavada no terreno de uma igreja ucraniana na cidade de Bucha, que passou semanas ocupada pelo Exército russo. No domingo, o governo ucraniano denunciou que a região foi palco de um “massacre deliberado” de civis. O governo Putin desconsidera a denúncia e diz que as imagens “são montagens”.

Esta seria a primeira prova tangível e visível da morte e devastação nas áreas ocupadas pelas tropas russas.

O prefeito de Bucha, Anatoly Fedoruk, disse à AFP que cerca de 300 moradores foram mortos durante a ocupação. Neste domingo, as autoridades anunciaram que uma fossa coletiva tinha mais de 70 corpos. Segundo a procuradora-geral ucraniana, Iryna Venediktova, ao todo foram encontrados corpos de 410 civis nos territórios da região de Kiev ocupados pelos russos, sendo que 140 foram examinados pelos peritos forenses.


Corpos de vários homens, alguns com as mãos amarradas, em frente a prédio na cidade de Bucha, nos arredores de Kiev.

À condenação de Bruxelas juntaram-se os Estados Unidos. O secretário de Estado, Antony Blinken, afirmou que as imagens de Bucha são um “soco no estômago” e do secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, que qualificou de “brutalidade” o assassinato de civis nesta cidade nos arredores da capital ucraniana. A condenação internacional coincide com a publicação de um relatório da organização Human Right Watch sobre possíveis crimes de guerra em vários pontos do front Norte da guerra.

A Maxar Technologies, que coletou e divulgou as imagens de satélite, informou que os primeiros sinais de escavação de uma vala no local foram vistos em 10 de março. O registro mais recente do local é de 31 de março.

Uma equipe da agência Reuters que esteve em Bucha no sábado viu corpos nas ruas da cidade e também registrou uma vala comum ainda aberta perto de uma igreja. Mãos e pés eram vistos para fora da terra cobrindo os corpos. A agência não conseguiu confirmar, porém, se era o mesmo templo mostrado pela Maxar.

As forças russas se retiraram da região ao redor de Kiev após Moscou afirmar que terminara a primeira fase da guerra e que iria se concentrar “na libertação” de áreas no Leste, onde atuam os separatistas pró-Moscou, e no Sul. Tropas ucranianas já tinham reconquistado algumas áreas e reocuparam as restantes das quais os russos se retiraram.

Em um post na rede social Telegram, o Ministério da Defesa da Rússia classificou como “fake news” as denúncias de supostas atrocidades cometidas pelos militares do país e tachou as imagens e fotografias de corpos de “mais uma provocação” do governo ucraniano. Em ocasiões anteriores, o Kremlin sempre negou que suas forças tenham civis como alvo.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, pediu ao G7, grupo que reúne sete das maiores economias do mundo, que imponha novas sanções “devastadoras” a Moscou. Ele disse já ter pedido ação ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

O Globo

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