Servidores federais prometem começar 2022 com pressão em Bolsonaro por reajuste

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Carreiras federais prometem iniciar 2022 fazendo pressão sobre Jair Bolsonaro por reposição salarial. O aumento reservado a policiais federais, mas ainda não formalizado, causou descontentamento em outros setores.

Auditores da Receita Federal, por exemplo, começaram na terça um movimento de entrega de cargos após governo e aliados terem cortado recursos do órgão e concedido o aumento a policiais.

O presidente da Fonacate, associação que representa funcionários de diversas áreas do setor público, Rudinei Marques, diz que a briga por reajuste vai até o prazo final que o governo federal tem para conceder benefícios desse tipo, até seis meses antes da eleição.

O Fonacate (Fórum Nacional Permanente das Carreiras Típicas de Estado) reúne as associações de servidores de diversas carreiras federais, entre elas os próprios policiais, que somam cerca de 200 mil funcionários públicos.

“O governo federal pode conceder reajuste até 6 meses antes da eleição, ou seja, temos até o final de março para assegurar alguma coisa”, disse Marques. Antes da aprovação, ele afirmou estranhar o aumento somente para as carreiras de segurança e afirmou que o reajuste iria “agradar 30 mil servidores para desagradar 1 milhão”.

Embora o Congresso Nacional tenha aprovado uma reserva de R$ 1,7 bilhão para o governo conceder reajuste a servidores, caberá ao presidente Jair Bolsonaro escolher os agraciados.

A insatisfação com o aumento dos policiais alcança outras categorias. Fábio Faiad, presidente do Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central), diz que a medida traria uma assimetria injusta porque os salários iniciais seriam maiores que os valores de final de carreira dos servidores do BC.

Entenda o orçamento

O Congresso aprovou na noite de terça-feira (21) o Orçamento para o ano eleitoral de 2022, com uma previsão de R$ 1,7 bilhão para conceder um aumento a 45 mil policiais federais —um pedido do presidente Jair Bolsonaro para agradar um de seus grupos de apoio.

Esse é mais um movimento de Bolsonaro para melhorar suas chances na disputa do ano que vem. O presidente também deu um drible no teto de gastos para pagar o Auxílio Brasil, o novo programa social que substitui o Bolsa Família.

O Orçamento inclui ainda um fundo eleitoral recorde: serão R$ 5,7 bilhões para a disputa do ano que vem, R$ 3 bilhões a mais do que foi gasto em 2018. O podcast Café da Manhã explica o que está em jogo.

Com Folha de S. Paulo

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