UOL: UFCG se torna a maior inventora do Brasil

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Encravada no semiárido agreste da Paraíba, a UFCG (Universidade Federal de Campina Grande) foi a instituição brasileira que mais fez pedidos de registro de patentes por invenção no país em 2020. O ranking é do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, e aponta que ela desbancou empresas e universidades de orçamento bilionário e se tornou a maior inventora do país.

Em 2020, a UFCG depositou no INPI 96 invenções, um número de registros maior que o da Petrobras, por exemplo, que ficou na segunda posição do ranking de maiores inventores, com 79 registros no ano passado.

No ano passado, pessoas, centros de pesquisa, universidades e empresas brasileiras depositaram 2.663 patentes no Instituto. O ranking pode ser visto aqui.

Pesquisadores da UFCG registraram, por exemplo, patentes de alimentos funcionais que, além de nutrir, apresentam características benéficas à saúde. No futuro, você pode comer um bolo sem glúten ou sem lactose feito com resíduo de extrato de alguma matéria-prima não convencional (como o amendoim); ou usar um sistema multimídia de acompanhamento de movimentação financeira pessoal para celular, outra invenção da universidade.

Segundo o INPI, patentear um produto significa “ter o direito de impedir terceiros de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar, sem o seu consentimento.”

Biomateriais entre os destaques

Outros exemplos de invenções na instituição é o Certbio (Laboratório de Avaliação e Desenvolvimento de Biomateriais do Nordeste), que tem oito patentes depositadas no INPI, duas delas em processo avançado no TRL (Technology Readiness Level), que representa o nível de maturidade tecnológica de determinada iniciativa.

“Essas duas pesquisas trabalham com a quitosana, que é um dos polímeros naturais mais pesquisados no mundo para uso como biomaterial”, diz o coordenador do Certbio, Marcus Vinicius Lia Fook. Ele explica que essa classificação permite —além de aplicações em outros segmentos industriais— ser usado no segmento de saúde.

“A consequência disso imediata é o segundo produto: a membrana de quitosana que já está sendo utilizada agora em uma fase de uso em humanos para tratamento em um caso de úlcera diabética no Hospital Universitário da UFCG, aqui em Campina Grande”, diz. Fook é um dos entusiastas da ideia de ser inovador para colher benefícios. Ele afirma que, além dos royalties que podem ajudar o laboratório, há outra vantagem no processo de registrar patentes: inserir alunos em empresas.

“Há uma oportunidade de inserção de jovens pesquisadores nessas empresas que incorporaram os projetos. Temos uma empresa do interior de São Paulo que está absorvendo uma pessoa nossa”, diz.

“O laboratório recebe uma parte disso como geradora desse conhecimento. Mas o importante é o reconhecimento da sociedade da pesquisa desenvolvida pela universidade pública”, disse Marcus Vinicius Lia Fook.

Para ele, a cultura de inovação e registro deveria ser mais adotada por universidades públicas em todo o país. “São sementes que estão sendo desenvolvidas para, em um curto prazo, haver esse retorno.”

Polo de tecnologia

A UFCG é uma instituição jovem: surgiu em 2002, após se desmembrar da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). A inovação e busca por novos recursos estão entre suas metas fundamentais.

Com participação direta da universidade federal, a cidade de Campina Grande (a 135 km de João Pessoa) possui um polo de tecnologia que é uma das principais referências nacionais na área. Ao todo, a UFCG já computa cerca de 400 produtos tecnológicos de várias áreas de conhecimento, de saúde a ferramentas tecnológicas.

Proteção de patentes

Para alcançar o topo do ranking nacional de inventores, a universidade lançou, em 2008, o NITT (Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia), para gerenciar a política de patentes da instituição. “Esse núcleo está previsto na Lei de Inovação, do ano de 2004, e é ele que faz a gestão da política de inovação, treina e auxilia pesquisadores, dá palestras, vai in loco aos laboratórios, dissemina a cultura da propriedade intelectual e a importância da inovação tecnológica”, explica o coordenador do NITT, Rennan Gusmão.

Gusmão acrescenta que existe, dentro da UFCG, um trabalho institucional, que ganhou corpo especialmente nos últimos cinco anos, para que os pesquisadores percebam que é importante ter proteção e registrar patentes. “A instituição apoia ações de inovação, faz investimento na cultura da propriedade intelectual…. Os nossos pesquisadores já têm essa visão desde o início do projeto, de proteger suas invenções”, diz o coordenador.

“O processo de uma invenção se concretizar em uma inovação é longo. O tempo da análise e concessão [de uma patente] pode ser em média de seis a 10 anos. Porém, o licenciamento das tecnologias é possível desde o início do depósito da patente”, explicou Rennan Gusmão.

O reitor da UFCG, Antônio Fernandes, ressalta a importância da liderança no ranking nacional pelo potencial inovador de toda comunidade acadêmica da universidade.

“A atual gestão está se empenhando no aperfeiçoamento e melhoria da gestão de ativos de propriedade intelectual, na disseminação da cultura da transferência de tecnologia e geração de royalties —que podem ser captados junto ao licenciamento de tecnologias, resultando em mais investimentos no ecossistema de inovação da universidade”, diz.

 

 

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