Cláudia Carvalho
Com um pronunciamento que começou com o lamento pela morte da procuradora do Estado aposentada Maria Méricles Guedes Feitosa, 62 anos, assassinada com dois tiros ontem no bairro de Manaíra em uma tentativa de assalto, o deputado estadual José Aldemir (DEM) terminou surpreendendo em seu discurso hoje à tarde na Assembleia Legislativa ao pedir a exoneração do secretário de Segurança do Estado, Gustavo Gominho:
– Temos visto ineficiência e ineficácia da segurança pública. O secretário deveria ter a elegância de ir ao governador José Maranhão e pedir demissão do cargo porque não tem competência para gerir essa Pasta. Há um problema nacional e conjuntural. A droga tem levado à violência. Não podemos assacar contra um Governo de Estado, mas há condições de impor ao secretário que tenha criatividade em suas ações para levar segurança à população. Não basta somente comprar carros e motos para o policiamento – disse o parlamentar.
Em aparte, o deputado João Henrique também fez críticas a Gustavo Gominho e o repreendeu por ter levado a público a denúncia de que policiais integram grupos de extermínio na Paraíba. Em sua fala, João ainda citou que o secretário teria se recusado a comparecer a uma audiência pública convocada por ele para debater questões relacionadas ao crime organizado e para revelar quais policiais teriam envolvimento com os crimes.
– Ele chegou a dizer que só viria a esta Casa se fosse amarrado – disse João Henrique.
Foi o bastante para que o deputado governista Expedito Pereira pedisse também um aparte para defender o secretário e elogiar sua atuação na Segurança:
– Lamentamos ter ouvido do deputado José Aldemir que o secretário de segurança é incompetente. O secretário é um homem de competência reconhecida em todo o Brasil. Se a violência existe na Paraíba, contrariando nossos desejos, é porque ela existe em todo o Brasil. Faz anos que os criminosos de estados vizinhos vêm atuar na Paraíba porque eram apertados no sistema de segurança de Pernambuco e Rio Grande do Norte. Como aqui, existia uma frouxidão, eles corriam para cá. Agora, essa realidade está mudando. Eu também não acredito que o secretário tenha dito que só viria amarrado a esta Casa.
A dúvida de Expedito irritou João Henrique, que quis novo aparte.
– Corte minha palavra se quiser, mas Vossa Excelência não vai me interromper – devolveu Expedito.
A sugestão foi, de pronto, acatada por Henrique, que presidia a sessão.
– Vossa excelência tem que entender que, aqui quem manda não sou eu nem vossa excelência. Quem afirmou em requerimento que o secretário foi convocado fui eu. Depois ele respondeu aos sites que só viria amarrado.
Extremamente contrariado, Expedito Pereira se retirou do plenário.