Ricardo afirma que Calvário é pior momento do MP: “Houve até ameaças”

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Em uma live entrevista contundente no perfil do ParlamentoPB no Instagram na noite desta quarta-feira, 29, o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) avaliou as acusações que lhe têm sido feitas no âmbito da Operação Calvário e considerou que ela manchará a trajetória do Ministério Público na Paraíba por não ensejar provas nos autos: “Essa operação ficará marcada na história da Paraíba como um dos piores momento da história Ministério Público. O Gaeco não tinha o direito de difamar, de fazer o que fez em 2019 e 2020. Outra certeza que eu tenho é que as elites que agiram para derrubar uma presidente [Dilma Rousseff] consideram que eu sou alguém muito importante que deve ser aniquilado. Essa opereação não veio daqui. Foi lá de cima. Todo o preparo que o Daniel fez, induzindo, gravando o que quis e deixando de lado o que não convinha, foi coisa de profissional. Há um elo que a história haverá de contar como a Lava-Jato fez com o presidente Lula que foi tirado das eleições de 2018. Delação não é prova. Imagina: alguém preso só é ouvido se fizer delação e ela só fale se falar num nome específico. É uma delação induzida. Outras pessoas ficaram ilegalmente presas por muito tempo e nenhuma foi ouvida”.

O ex-governador chamou os setores que se opõem a ele de “aliança do ódio” e nela incluiu a mídia da Paraíba. “A mídia tentou acabar comigo. Eu levei pancada o ano inteiro com mentiras seguidas. O esquema de preparo da Operação Calvário em 2019 foi o esquema de Bolsonaro na Paraíba para circulação de fake news. O esquema montado para as eleições de Bolsonaro foi mantido para me atacar. Boa parte das coisas saía do Ministério Público e vazava… e eram apenas ilações. Diziam que eu tinha imóveis no exterior e em outros Estados. Mentira! Foram canalhas mentirosos que plantaram isso em grupos de WhatsApp”.

Ainda nesta quarta-feira, Ricardo Coutinho concedeu entrevistas para veículos de imprensa da Europa e tratou da “Lava-Jato” da Paraíba, como classificou a Operação Calvário. “Eu lembrei de acusações que me fizeram incluindo o desvio de R$ 1 bilhão. Cadê esse desvio? Era mentira como é também esse de R$ 134 milhões. Quiseram tirar a mim e ao meu projeto da política. O corte que a Operação Calvário fez foi algo ‘bandeiroso’. Prenderam Márcia Lucena por ter comprado remédios mais baratos no Lifesa. Prenderam Estela Bezerra, uma deputada, sem autorização da Assembleia. Até hoje, ninguém foi chamado para ser interrogado. Só querem prender”.

Ameaças – O ex-governador acrescentou que três envolvidos na Calvário teriam tido suas famílias ameaçadas durante o período em que estiveram em prisão preventiva: “O Gaeco não chama ninguém para ser interrogado. Faz prisões preventivas e durante esse período ameaça familiares como foram os dos três que delataram. Principalmente as mães. Mas, isso a imprensa não dá”. Ao ser questionado sobre a quem teriam sido endereçadas essas ameaças, Ricardo citou Livânia Farias e Leandro Nunes. “No termo de acordo [de delação premiada] está lá dizendo que a família fica fora. Não tem como esconder isso. Todo mundo sabe”.

Quanto às declarações de Livânia Farias sobre a entrega de “mangas de Sousa” e de Leandro Nunes a respeito de “uma caixa de vinhos”, ambas significando formas de entrega de “propina”, Ricardo disse que nunca recebeu vantagem indevida: “Não existe empresário que diga que eu recebi dinheiro. Meu patrimônio é condizente com minha vida. Disseram que eu sou dono da Troy. Eu sei lá o que danado é isso. Se eu sou dono, mostre as provas que não existem”.

Gravações de Daniel – Em outro trecho da entrevista, Ricardo Coutinho falou das gravações feitas de conversas mantidas com Daniel Gomes, ex-diretor da Cruz Vermelha e delator da Calvário que entregou ao Ministério Público farto material contendo diálogos com o então governador da Paraíba: “Só passam uma parte. Não passa o anterior. Daniel é um sujeito inteligente e veio com uma sedução sobre um tal conselheiro que nunca me perguntaram quem era e nem vão perguntar em nível de Ministério Público e Daniel disse que estava sendo extorquido. Eu fui estimulando a conversa porque eu queria saber quem era. Era um conselheiro do Tribunal de Contas , na visão dele. Eu não tenho provas disso. Isso era para ter sido gravado e não foi. Ele falou sobre um rolo e começou uma sedução dizendo que teria que ter uma relação mais forte, uma sociedade, mas eu quando soube enterrei o negócio. Acabou. As outras, ele chega e oferece dinheiro para a campanha de João e eu disse para falar com outra pessoa. Ao que me conste, ele nunca falou. Eu nunca recebi dinheiro de ninguém”.

Eleições 2020 – Outro tema abordado na entrevista foi a eleição municipal e Ricardo foi comedido. Disse que não chegou o tempo de dizer se é ou não candidato, mas garantiu que o PSB vai entrar na disputa. Mais do que isso, avaliou que o número de adversários, que hoje chega a 16, será reduzido assi, que os socialistas anunciarem quem vai concorrer à prefeitura: “O caminho do PSB vai definir isso. Tem gente aí que está aí pra fazer acordo e não para ser candidato. Vai haver uma diminuída, mas em função das decisões que o PSB tomar. Por outro lado, esse ataque moral estabelecido no nosso Estado perseguindo a mim e ao PSB fez com que muitas almas penadas do discurso fácil e violento, mas sem nenhum conteúdo, surgisssem achando que uma histeria como a que levou Bolsonaro ao país vai se repetir, mas não vai”.

Confira a íntegra da entrevista:

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