Opinião: Jornalista avalia nomeação de Rolando para a PF e Montovani, para a Funarte

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Em novo artigo publicado no ParlamentoPB, a jornalista Patrícia Albuquerque analisa o desenrolar de mais uma semana de sobressaltos no governo federal. Salientando que hoje ainda é terça-feira, ela cita as nomeações de Rolando Souza para a Polícia Federal do Rio de Janeiro e de Dante Montovani para a Funarte: “O jeito que tem é acompanhar o placar e tentar, individualmente, pegada por pegada, ir marcando nossas trilhas para que a nossa dimensão coletiva possa passar”.

Nossas trilhas não marcadas

Respira fundo, suspende o ar para reoxigenar o cérebro, e vamos enfrentar o início de mais uma semana. Aliás, começar mais uma semana aqui no Brasil tornou-se uma aventura com trilhas ainda não marcadas no chão. Vamos descobrindo, pegada a pegada, notícia a notícia, quais fantasmas, do bem ou do mal, nos espreitam.

Fiquei pensando o que o inominável quis dizer com: “Peço a Deus para não termos problemas essa semana. Estou no limite. Não vou mais aceitar interferências”.

Veio a nomeação, às pressas, do novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Souza, subordinado a Alexandre Ramagem, amigo dos três porquinhos. Uma nomeação celebrada longe dos holofotes, confetes e serpentinas (pobre do carnaval, aqui utilizado para rechear um texto sobre esse cenário político horrendo! Perdão aos momos; esses, sim, reis genuínos, eleitos por suas comunidades carnavalescas, representando-as com orgulho e responsabilidade!) que têm cercado as posses e exonerações desse governo. A primeira ação de Rolando foi trocar a Superintendência da PF do Rio de Janeiro, devendo a de Pernambuco ser a próxima. Interesses escusos do clã. Sem interferências. O inominável está no limite.

Toma nota do placar. Até agora, Inominável 2, STF, zero.

Nas primeiras horas dessa terça-feira chuvosa (ora, sim, ora, não; oscilante como o governo, essas chuvas de maio), uma página do D.O.U. (Diário Oficial da União) traz impresso o nome de Dante Montovani. Bonito o nome dele. Vazia a alma dele. Foi reconduzido pelo inominável, de madrugada, claro (ele adora agir tal qual gatuno, no apagar das luzes), para a presidência da Funarte (Fundação Nacional de Artes).

Momento “Refrescando a memória”

Montovani é aquele que, quando assumiu a própria Funarte, em dezembro de 2019, associou o rock a: drogas, sexo, aborto e satanismo. O demo é ele, e não Mick Jagger! Para o meu total desgosto e desencanto, é maestro (adoro música clássica!) e mestre (assim, com letra minúscula, mesmo!) em Linguística e doutor em Estudos da Linguagem. Eu e meus amigos dos inúmeros departamentos de Linguística e Linguagem espalhados por esse imenso Brasil, só no Rivotril para ver se dormimos com um barulho desses. Mais atento a como se utiliza da linguagem, maestro! Tenha compostura e respeito com a batuta da Linguagem. Assim, mesmo, grafada com letra maiúscula.

Sobremesa: Ave Maria, e pensar que ontem eu estava me refestelando com uma “live” (não gosto delas, mas há algumas que valem umas horas da minha atenção) com Noam Chomsky, um dos maiores linguistas em atividade. Foi formidável. Tanto aprendizado numa “live” só. E ele nem precisou estar consumindo álcool ou preparando seu prato favorito em frente à tela só para exibir sua maravilhosa cozinha. De quebra, quando perguntado sobre a situação do Brasil, afirmou algo do tipo: Bolsonaro não estaria fazendo o que está fazendo aí, se não tivesse o apoio do governo americano. Americano politizado, ele, Chomsky. Sobremesa da sobremesa: deve ter lido muitos livros e artigos de Chomsky, o atual homem-forte da Funarte. Entendeu, nada, não, o coitado!

Voltando a ele, ao homem do nome bonito (só o nome, mesmo), Montovani foi exonerado do cargo (assinatura do general Braga Netto) há dois meses. Agora é reconduzido ao posto pelo inominável. Assinatura, Braga Netto, idem. Impressionante como são volúveis, eles. Assinam que sim, assinam que não. Sem interferências. O inominável está no limite.

Olho no placar. Até agora, Inominável 3, STF, zero.

E hoje é só terça-feira.

Se continuarem a aceitar todas as nomeações, todos os remanejamentos e reconduções do inominável, como vimos desde ontem, não teremos problemas essa semana. Pronto, pessoal, é simples. Santa será essa nossa semana.

Momento “Lamento por nós”

A recondução de um maestro sem alma, justamente para presidir a Funarte, (pobrezinha da Arte, que alma tão nobre tem), na mesma semana em que tivemos a morte de nomes relevantes da nossa cultura (Flávio Migliaccio e Aldir Blanc; esse, o inominável e boa parte do seu gado nunca devem nem ter ouvido seu falar, seu escrever, tampouco seu cantar, na voz da “pimentinha” Elis Regina; apura os ouvidos, maestro!), e em que a senil-patética-mais-famosa-Helena-de-Manoel Carlos, a quase ex-ministra invisível, insensível e medrosinha, Regina Duarte, se nega a soltar uma nota de pesar que seja, ou uma homenagem aos seus colegas artistas, é um triplo golpe que boa parte de nós não merecia.

O jeito que tem é acompanhar o placar e tentar, individualmente, pegada por pegada, ir marcando nossas trilhas para que a nossa dimensão coletiva possa passar.

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