O encontro da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB) em São Paulo, no último sábado, 23, não foi suficiente para pôr fim ao impasse dentro do PT na Paraíba. A legenda, que tem o petista Luciano Cartaxo como vice-governador, continua dividida entre um grupo que quer manter a aliança com o PMDB e outro favorável a uma aproximação com pré-candidato ao governo do Estado, Ricardo Coutinho (PSB).
Durante a reunião, o deputado federal Luiz Couto foi indicado como representante da Paraíba no Diretório Nacional do PT. O nome de Couto foi escolhido por ele ter eleito o maior número de delegados no Processo de Eleições Diretas e pelo seu trabalho na defesa dos direitos humanos. Ele teve o aval do novo presidente nacional do PT, Eduardo Dutra, do novo presidente do PT na Paraíba, deputado estadual Rodrigo Soares, do vice-governador Luciano Cartaxo e do presidente do PT de João Pessoa, Antônio Barbosa.
O deputado estadual Rodrigo Soares defendeu ontem a manutenção do candidato a vice-governador do partido na chapa de reeleição do governador José Maranhão (PMDB). “Nossa prioridade é dialogar com partidos aliados e não estaremos no mesmo palanque que o DEM e o PSDB. Aqui, na Paraíba, o Democratas decidiu subir no palanque de Ricardo Coutinho então não tem a menor possibilidade do PT estar nesse palanque”, completou.
Para Rodrigo Soares, o PT não deve abrir mão de maneira alguma do seu espaço na chapa majoritária com a indicação do candidato a vice-governador. Segundo ele, o partido, que possui o vice-governador Luciano Cartaxo, cumpre um papel importante ao lado do governador José Maranhão. “Falo como militante, não como presidente da legenda. No meu entendimento, essa é a melhor estratégia. Mas vamos levar esse debate para a instância partidária e os partidos aliados”, completou.
O presidente do PT da Paraíba disse ainda acreditar que essa é a melhor estratégia, principalmente após as declarações do deputado federal Luiz Couto de que não pretende disputar o Senado ao lado do governador José Maranhão.
“O nome de Luiz Couto não está descartado para o Senado, mas ele tem demonstrado lamentavelmente que não está à disposição dessa indicação como propomos”, completou.
Cúpula – O deputado federal Luiz Couto afirmou que a direção nacional do partido é que vai definir se será prioritário fazer uma aliança com o PMDB ou com outros partidos aliados. Ele lembrou que em oito Estados o PT não é aliado do PMDB. “Isso tudo servirá de instrumento para a direção nacional. Por enquanto ainda não sabemos se será possível lançar candidatura avulsa ao Senado ou a deputado ou se vai ser prioritária a formação de uma aliança com o PMDB. Isso será discutido entre as direções nacionais do PMDB e do PT e não com governadores ou senadores”, explicou.
Luiz Couto também descartou a possibilidade de sair candidato ao Senado na chapa do governador José Maranhão. “Nós entendemos que o atual governo do Estado é um atraso e não serei candidato ao Senado no palanque do PMDB”, concluiu o deputado federal.