Fábricas na Paraíba e no Ceará usam óleo de praias do NE para alimentar fornos e substituir insumos

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Duas fábricas na Paraíba e uma no Ceará estão fazendo o coprocessamento do óleo encontrado em praias do Nordeste, usando os resíduos para substituir matéria prima e alimentar fornos de cimento.

De acordo com notas publicadas nesta quinta-feira (24), na coluna Painel S.A, da Folha de São Paulo, a indústria cimenteira se aproximou do Ministério do Meio Ambiente nas últimas semanas para avaliar se seria possível reaproveitar o óleo recolhido nas praias do Nordeste. Desde segunda-feira (21) começou a receber as primeiras toneladas do material, segundo Daniel Mattos, diretor da ABCP (associação do setor).

Marinha diz que mais de mil toneladas de óleo foram retiradas

A Marinha informou que, até a terça-feira (22), foram recolhidas mais de 1 mil toneladas de resíduos recolhidos das praias do Nordeste. De acordo com a instituição, desse número quase a metade teve a destinação final realizada. Esse trabalho tem sido feito por meio de uma interlocução direta com os estados afetados, articulações com o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento (SNIC) e com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

No encontro, foram identificados possíveis recebedores para esses resíduos coletados, para realizar a destinação final ambientalmente adequada. O objetivo é absorver grande parte do material recolhido para ser reaproveitado em coprocessamento.

Origem do despejo

Pesquisadores do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Coppe/UFRJ acreditam que o ponto de origem do despejo de óleo que polui a costa do Nordeste esteja em uma área entre 600 km e 700 km da costa brasileira, numa faixa de latitude com centro na fronteira entre Sergipe e Alagoas. O trabalho foi realizado por meio de imagem de satélite, computação de alto desempenho e modelo matemático.

A investigação foi feita pelos professores da Coppe, Luiz Landau, coordenador do laboratório, e o professor colaborador Luiz Assad, a pedido da Marinha. A área apontada fica em águas internacionais. Segundo o professor Landau, essa parte da análise já foi entregue às Forças Armadas. Na próxima semana, os pesquisadores da Coppe começam a trabalhar para antecipar a maneira como ocorrerá a dispersão de óleo de agora em diante.

“Há muita incerteza com relação à trajetória de óleo, porque ele correu abaixo da superfície. Não sabemos quanto tempo esse óleo demorou para intemperizar, ou seja, sofrer processos de mudanças das características físico-químicas para entrar abaixo na coluna d’água”, disse o professor Luiz Assad.

Com informações da Folha de S.Paulo e Agência Brasil

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