São Francisco e a consciência ecológica

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O grande Santo da Igreja, São Francisco, coloca-nos diante do testemunho irrefutável do cuidado com a casa comum que nos cerca, isto é, a mãe terra que nos acolhe. O Papa Francisco escreveu uma encíclica, a “Laudato Si”, que chama a nossa atenção para este cuidado. Para o Papa, bem como para a consciência ecológica, devemos guardar os bens que Deus colocou em nossas mãos, e não agirmos como proprietários e dominadores dos mesmos.

O testemunho existencial de São Francisco diz-nos não somente de uma ecologia pontual, mas leva-nos à preocupação com uma consciência ecológica integral, pondo-nos para dentro da ética fraterna, colocando o homem no centro e diante do cuidado com o mundo. Cuidar do meio ambiente exige o compromisso com a ética fraterna, cuja fonte é a Paz. Não cuidamos da casa comum porque temos grandes dificuldades de superar o egoísmo que nos afasta dos irmãos; “(…) se deixarmos de falar a língua da fraternidade e da beleza na nossa relação com o mundo, então as nossas atitudes serão as do dominador, do consumidor ou de um mero explorador dos recursos naturais, incapaz de pôr um limite aos seus interesses imediatos. Pelo contrário, se nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe, então brotarão de modo espontâneo a sobriedade e a solicitude. A pobreza e a austeridade de São Francisco não eram simplesmente um ascetismo exterior, mas algo de mais radical: uma renúncia a fazer da realidade, um mero objeto de uso e domínio” (Papa Francisco). O santo de Assis foi chamado de “o irmão de Jesus”. São Francisco adotou como estilo de vida a imitação concreta das virtudes de Jesus, e o fez pela via da pobreza interior e exterior, fez-se pobre de espírito, como pede o Evangelho. “O testemunho de Francisco, que amou a pobreza para seguir Cristo com dedicação e liberdade totais, continua a ser também para nós um convite a cultivar a pobreza interior para crescer na confiança em Deus, unindo também um estilo de vida sóbrio e um desapego dos bens materiais” (Papa Bento XVI). Pode-se concluir que o cuidado com a ecologia e com os homens só se concretiza realmente mediante a conversão sincera dos que creem. Não é possível amar as coisas e o que nos cerca, sem uma adesão transformadora de nossas vidas a Deus. A razão última da Paternidade de Deus passa pelo amor tributado aos homens, e estes devem amar este Pai Bondoso também quando cuida da Sua criação.

Dom Manoel Delson

Arcebispo Metropolitano da Paraíba

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