Bolsonaro manda Queiroga desobrigar uso de máscaras para vacinados; veja

Brasília — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, irá publicar um parecer desobrigando o uso de máscaras para aqueles que já foram vacinados contra a Covid-19.

— Por coincidência, olha a matéria para a imprensa, acabei de conversar com um tal de Queiroga. Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados. Para tirar esse símbolo, que obviamente tem sua utilidade, para quem está infectado — disse o presidente.

O parecer prometido vai contra o que é defendido por especialistas, que afirmam que a continuidade do uso de máscaras é essencial mesmo para aqueles que se vacinaram, uma vez que não há consenso sobre a possibilidade de transmissão da Covid-19 por pessoas imunizadas. Os especialistas afirmam também que quem já teve o coronavírus precisa usar máscara para evitar transmissões e porque não se sabe por quanto tempo os anticorpos permanecem no corpo humano.

No início de maio, o Ministério da Saúde que é comandado pelo paraibano Marcelo Queiroga, lançou uma campanha de conscientização contra a Covid. No vídeo de 30 segundos, o Zé Gotinha aparece com toda a família. Os avós, os pais e o filho defendem o uso de máscaras, o distanciamento social e a vacinação.

O Brasil notificou, na última quarta-feira, 2.484 mortes por Covid-19. São, no total, 479.791 vidas perdidas para o coronavírus no país desde o começo da pandemia. No Senado, o governo Bolsonaro é investigado pela demora na negociação de vacinas com a farmacêutica americana Pfizer e por promover o uso de cloroquina para o tratamento da doença, apesar de evidências científicas apontando que o medicamento não combate o coronavírus.

Bolsonaro não explicou quando a norma será publicada, nem deu mais detalhes. Durante o discurso, realizado durante evento do Ministério do Turismo, Bolsonaro citou diversas realizações do seu governo.

O presidente voltou a criticar medidas restritivas e de lockdown adotadas por governadores e prefeitos. Bolsonaro voltou a repetir a teoria, sem comprovação científica, de que houve supernotificação de óbitos por Covid.

No início da semana, o presidente citou um documento, incluído de forma supostamente irregular no sistema do Tribunal de Contas da União, que afirmava que mais da metade dos óbitos de Covid-19 notificados no ano passado não foram causados pela doença.

— Em cima desse relatório, que é do próprio TCU, que se investigue quanto porcento de óbitos não foram vitimados por Covid. Porque se se confirmar, apesar de não ser conclusivo, mas com indício muito forte de que 60% (de mortes não foram por Covid), segundo projeções, digo, não confirmadas pelo TCU, e subtrairmos do número de morte (total), o Brasil será um dos países de menor número de mortes por milhão de habitantes por Covid-19 — afirmou o presidente.

Assim como repetido ontem, em agenda com igrejas evangélicas de Goiás, Bolsonaro atribuiu esse resultado, que não tem comprovação, ao uso de hidroxicloroquina no tratamento de Covid-19.

Durante o discurso, Bolsonaro defendeu alguns dos integrantes do chamado “gabinete paralelo” que o aconselhou durante a pandemia, muitas vezes indo contra a recomendação do Ministério da Saúde.

— E se tudo se confirmar, pelo que, se Deus quiser, parece que vai se confirmar com as evidências, estávamos no caminho certo — afirmou.

 

 

O  Globo Online

VEJA TAMBÉM

Comentários

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.