O Centro de Zoonoses de João Pessoa atende, em média, mais de 500 animais por mês em serviços como consultas, cirurgias, vacinação e ações do Castramóvel. A maioria dos casos envolve animais vítimas de abandono, muitas vezes em situações de maus-tratos, após a morte dos tutores, em ambientes de acumulação ou retirados das ruas por apresentarem zoonoses.
Segundo Pollyana Dantas, gerente de Vigilância Ambiental e Zoonoses da capital, esses animais passam por exames, testagens e reabilitação até estarem prontos para adoção. “A maioria dos que chegam até nós vem de demandas judiciais. Reabilitamos cada um para que tenha a chance de ganhar um novo lar”, destacou.
Consequências do abandono
O abandono animal não é apenas um problema ético, mas também de saúde pública. Animais nas ruas procriam descontroladamente e podem transmitir doenças como esporotricose (micose causada pelo fungo Sporothrix) e leishmaniose, doença infecciosa transmitida pelo mosquito-palha. Ambas podem afetar tanto animais quanto seres humanos.
Para a médica veterinária Kalliny Feliciano, o abandono está diretamente ligado à falta de vínculo entre tutor e animal. “Quem tem vínculo respeita e planeja a vida junto ao animal. O abandono é reflexo de desvio de caráter e da ausência desse laço”, afirmou.
Avanços no cuidado
Apesar dos desafios, os profissionais celebram os avanços conquistados. O Centro de Zoonoses passa por ampla reforma, incluindo a reconstrução total de canis e gatis, criação de áreas de recreação, solário e espaços adequados para o contato entre animais e futuros tutores. “As salas serão maiores, os ambientes mais humanizados e o atendimento terá mais qualidade. Isso representa mais dignidade para os animais e melhores condições de trabalho para os profissionais”, explicou Pollyana.
Profissão com propósito
Neste 9 de setembro, Dia do Médico-Veterinário, os profissionais do Centro ressaltam que a técnica não é suficiente para exercer a profissão. “É preciso amor, caráter e ética. Sem isso, a técnica sozinha não faz de ninguém um bom profissional”, disse Kalliny, com apoio dos colegas Alick e Lucas.
No trabalho diário do Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses de João Pessoa, esses valores se refletem no compromisso de salvar vidas, melhorar a saúde pública e promover a convivência harmoniosa entre animais, humanos e o meio ambiente.