Vice-governador diz que Estado atingiu todas as metas

A Paraíba hoje vive em equilíbrio financeiro e tem, inclusive, capacidade de endividamento por causa das ações do governo para sanear as finanças públicas. O vice-governador Rômulo Gouveia disse que o trabalho agora é sanear as empresas, como no caso da Cagepa, e que para isso é importante a aprovação do empréstimo pela Assembléia.
 
Em entrevista, Rômulo avalia a atual conjuntura política de antecipação da campanha, o que ele considera maléfico para o Estado, diz que governo está em dia com todos os compromissos e parcerias com as prefeituras e que o foco é trabalhar para a manutenção da aliança que elegeu Ricardo para garantir sua reeleição.
 
A entrevista
 
– O senhor levou à Assembleia a mensagem do Executivo para o Legislativo no começo da semana passada. Quais são os destaques?
 
– Nós fizemos uma mensagem, que aparentemente foi longa, mas a gente tinha que pontuar as ações do governo, desde o equilíbrio financeiro – que se não tivéssemos feito o dever de casa, não teríamos consolidado empréstimos nem dado as contrapartidas do Estado.
 
– O que esse equilíbrio possibilitou ao Executivo?
 
– Estamos entrando no terceiro ano de governo com ações concretas como o programa de interligar a Paraíba, dos 54 municípios que nós encontramos sem acesso. Já entregamos dez, estamos com mais 20 em andamento e 22 estão em fase de licitação, com priorização para estradas dos arranjos produtivos, como, por exemplo, da laranja em Matinhas, da banana e da uva em Natuba. É um conjunto de obras na área de infraestrutura.
 
– E com relação à seca, o que o governo tem feito?
 
-A seca tem o presente e o futuro. As ações que têm que ser feitas são estruturantes para que no futuro se possa conviver com a seca sem tantos danos  como os que estão sendo causados agora. Só o Estado está mantendo 401 carros pipa, sem contar com os do Exército e os investimentos do governo federal.
 
– Que obras estruturantes estão sendo feitas contra a seca?
 
– O canal Araçagi-Acauã, uma obra de R$ 1 bilhão – a maior obra hídrica dos últimos tempos neste Estado. Além de água para beber, tem as adutoras que fizemos e estamos fazendo, os açudes e a recuperação de poços – foram identificados 500 e já recuperamos 100, além de perfurarmos 200.
 
– O governo está agindo para apressar as obras de transposição do rio São Francisco, como forma de minorar a tragédia da seca?
 
– Com relação à seca, o Ricardo foi um dos primeiros governadores do Nordeste que lá atrás alertou, quando foi criado o comitê gestor, que foi feito todo um trabalho. A seca não é da Paraíba é nacional e as ações têm que ser da União com os Estados. Nós estamos fazendo, muitas vezes, mais que nossa obrigação, inclusive com ações para o futuro.
 
– Qual a ação de feito imediato que o senhor citaria?
 
– O impacto do pagamento do abono natalino para os 504 mil beneficiários do Bolsa Família. Foi muito importante nesse momento.
 
– Fora as obras contra a seca, que outras ações o senhor destacaria?
 
– Os investimentos no Turismo, como o Centro de Convenções, que vem de décadas – desde o governo Burity com o Pólo Turístico do Cabo Branco – e também os binários de Bayeux, da costa do Conde, que desobstruiu e tranqüilizou o tráfego das praias do litoral Sul. Além da urbanização de uma das mais belas praias do País que é Coqueirinho e dos investimentos no Vale dos Dinossauros.
 
– Turismo é prioridade do governo?
 
– Merece toda a atenção e podemos citar que não tivemos baixa estação estamos mantendo uma média de 70% de ocupação da rede hoteleira, a capacitação no turismo, as grandes feiras nacionais e internacionais – eu mesmo participei do encontro da CVC que é uma das grandes operadoras do País – o apoio ao São João de Campina Grande aos eventos religiosos, que têm o foco, não apenas no ecumenismo, mas é o período em que Campina congrega pessoas do País inteiro.
 
– Que outras áreas consideradas especiais mereceram atenção especial do governo na mensagem ao Legislativo?
 
– Falamos dos investimentos em Educação, desde os prêmios que implantamos, da avaliação, da escola ideal, que só no ano passado foram mais de R$ 200 milhões. Foram investimentos em infraestrutura e agora estamos entregando tablets para alunos e professores, além de ampliarmos o número de vagas, além do transporte escolar, que, até antes de a gente assumir era a guerra do pau de “arara”. Nos últimos dois anos não se ouviu mais falar em “pau de arara”. 
 
– E a relação com as prefeituras?
 
– Estamos em dia com todos os convênios que firmamos com todas as prefeituras supra – partidariamente. Até mesmo com Campina Grande, na gestão anterior o Estado tinha convênio – foram mais de R$ 500 milhões. Distribuímos em dois anos, até a semana passada, cem ônibus escolares e no último encontro com os prefeitos distribuímos mais 223 ônibus e estamos adquirindo mais cem.
 
– Uma das áreas mais complicadas sempre foi a cultura. Quais os investimentos para o setor?
 
-Só na semana passada saiu a seleção da Lei Augusto dos Anjos, a Lei Canhoto da Paraíba, realizamos cantatas, estamos recuperando teatros. Só na Cultura, a partir do Espaço Cultural estamos investindo R$ 32 milhões. Nos Esportes, vamos investir R$ 55 milhões no Almeidão, no Amigão, no Perpetão, no Marizão em Sousa e no Dede em João Pessoa, fora o Bolsa Atleta.
 
– Na área da Saúde, que avanços o senhor citaria?
 
– Abrimos novos hospitais, firmamos convênios com hospitais filantrópicos de pequeno porte para atender, fizemos parcerias com as prefeituras e no Pacto Social foram R$ 20 milhões nos dois primeiros anos.
 
– A questão da segurança pública…
 
-Fazia mais de oito anos que a curva era crescente e nós estamos numa curva decrescente e reduzimos os índices de criminalidade no Estado inteiro em quase 9% e na Grande João pessoa em 13%, com as unidades de Polícia Solidária, com o Pacto pela Paz, com articulação de polícias e reunião de comando.  Tudo que está na mensagem é dado real. São fatos.
 
– O senhor se referiu a equilíbrio financeiro. A Paraíba está com todos os seus compromissos em dia?
 
– Estamos com superávit primário, atingimos todas as metas do Tesouro, tanto em 2011 como em 2012, coisa que em 2010 a Paraíba não alcançou e há penalidades para isso. O Estado só tem essas obras todas porque tem poder de endividamento. Ninguém empresta a quem não tem crédito e a Paraíba tem crédito. Além disso, estamos tentando sanear nossas empresas. O empréstimo que estamos pedindo para a Assembleia aprovar para a Cagepa vai diminuir juros, vamos liquidar com bancos privados e vamos para bancos públicos, teremos uma carência de dois anos e vamos sanear uma empresa que não é de Ricardo Coutinho ou Rômulo Gouveia, mas é dos paraibanos.
 
– Por que esse empréstimo é tão importante para a Cagepa?
 
– Porque ela precisa recuperar a capacidade de investimento. A gente encontrou uma empresa quebrada. Se não tivéssemos uma visão socialista e histórica talvez o caminho fosse a privatização. Mas o governo optou por não privatizar a Cagepa, porque a privatização privilegiaria uma pequena parcela e penalizaria a grande maioria. O serviço privado não iria chegar a uma cidade lá no final da Paraíba que não tem retorno lucrativo. Para proteger isso precisamos da compreensão dos deputados e deputadas.
 
– Como está relação do governo estadual com o federal no que diz respeito ao pagamento da dívida?
 
– A gente ainda paga muito, ainda tem um comprometimento muito grande com a dívida. Ainda é uma herança, não diria maldita, mas que impede mais investimentos por causa da destinação de recursos para pagá-la. É uma grande luta dos governadores, não só da Paraíba. A gente ainda espera e sonha. O governo Cássio reduziu muito a dívida, o governo que o sucedeu terminou não mantendo. Nós já assumimos numa situação bem pior, mas conseguimos avançar.
 
– Nas parcerias com os municípios, a meta administrativa superou a política?
 
 – Tem que ser assim. O morador de uma cidade não tem culpa se o prefeito não é aliado do governador. Quando a gente se elegeu foi criticando esse tipo de postura. Se a gente fizesse o contrário estaria na contramão. Os paraibanos só nos elegeram porque acreditaram que mudaríamos esse paradigma.
 
– A campanha de 2014 já está antecipadamente nas ruas, com a oposição já apresentando nomes?
 
– Isso é tão maléfico. Primeiro porque a gente antecipa o calendário eleitoral. Imagine alguém que governou uma cidade por oito anos, que deixou um desastre administrativo, que deixou funcionários com salários atrasados, fornecedores com pagamentos atrasados, obras paralisadas e ainda tem a coragem de, faltando dois anos para a eleição, se lançar pré-candidato, lançar uma caravana e ainda ir pedir votos. Imagine se a Paraíba vai ter a infelicidade de ter um gestor que foi altamente desastroso na administração municipal, não fez seu dever de casa e chegasse a governar o Estado? 
 
– Mas é fato que a eleição de 2014 já está em discussão…
 
– nos temos um calendário eleitoral que tem que ser cumprido a partir de junho de 2014 com as convenções e coligações. Por enquanto, nós precisamos trabalhar, porque esse Estado viveu muito tempo desse processo e até mesmo de alimentar as brigas que só prejudicam o Estado.  Nós temos dois caminhos a percorrer: ou administrar ou fazer política. Nossa opção é administrar. O embate político e o debate nós vamos estabelecer no momento exato, no prazo certo e aí a população vai identificar quem está com a razão. Não vamos sair do foco.
 
– O PSD está consolidado?
 
– Saímos das eleições maiores do que entramos. O partido está consolidado, com 18 prefeitos, 12 vice-prefeitos 198 vereadores. O parido se credenciou para em 2014 trabalhar para eleger deputados federais, estaduais e poder, se for possível, participar da chapa majoritária.
 
– O senhor vai disputar o Senado?
 
– Ninguém é candidato de si mesmo. Ninguém pode impor candidatura. A melhor candidatura é aquela que é lembrada, que é citada. Quem é que depois de ser vereador, deputado estadual, deputado federal, vice-governador, não quer ser senador? Mas eu tenho um foco: priorizar a reeleição do governador Ricardo Coutinho e aí os demais desdobramentos serão feitos no momento oportuno.
 
– A aliança de 2010 será mantida?
 
– Vamos trabalhar para isso. Acho fundamental a presença do PSDB, importantíssima a presença do senador Cássio Cunha Lima, que terá um papel importante em 2014.
 
-E a oposição?
 
– A oposição fica tentando nos dividir, desde o início do governo. Mas estamos vacinados, tanto eu como o senador Cássio. Fizemos uma aliança não por fisiologismo, não por interesses pessoais, mas em função da Paraíba. Os adversário não conseguirão nos influenciar para dividir.
 
– Qual será a relação do Governo do Estado com a Prefeitura de João Pessoa, agora nas mãos do PT?
 
– Será a mesma. O prefeito Luciano Cartaxo participou do encontro de prefeitos. Por ser a sede do Governo, a Capital, João Pessoa é inevitável um leque de ações. E o Estado está fazendo essas ações, se não por via direta, mas por via indireta. A Prefeitura será extremamente beneficiada. E é a primeira vez que João Pessoa tem um filho que já foi prefeito e é governador. E ele não poderia ficar contra a cidade. Se fossemos plagiar o poeta Ronaldo diríamos: “Uma cidade que deu tudo a Ricardo, Ricardo não pode negar nada”. Ricardo vai sempre trabalhar com ou sem Prefeitura. O ideal é o trabalho em parceria, mas não será diferença política que vai impedir Ricardo de trabalhar por João Pessoa.
 
– Com relação ao porto de Cabedelo, haverá algum investimento especial?
 
– O porto já cresceu e nós estamos com investimentos, trabalhando cada vez mais para viabilizar Cabedelo. Em que pese as dificuldades a realidade de Cabedelo hoje é outra.
 
– A ideia do porto de águas profundas está abandonada?
 
– Isso é para o futuro. Não podemos pensar em porto de águas profundas sem consolidar o porto de Cabedelo que já está aí. O Porto de Cabedelo tem potencial e se você eliminar o Porto de Cabedelo estaria eliminando uma grande cidade. “Cobriria um santo para descobrir outro”, como se diz no popular. Cabedelo ainda não atingiu sua plenitude. Quando ele a alcançar, se pode pensar para o futuro em porto de águas profundas. Não está descartado, mas para o presente seria contraditório. Estamos focados para investir no porto, estamos investindo e vamos investir muito mais para viabilizá-lo. 
 
– O que o senhor destacaria de importante no porto de Cabedelo para justificar investimentos?
 
– Sua localização excelente em relação ao Nordeste e à Europa, com malha rodoviária, com tarifa. Suape hoje, que é um grande porto está congestionado e temos o terminal pesqueiro que estamos negociando.
 
– Como estão as negociações para a volta do terminal pesqueiro?
 
– O governador me nomeou para negociar juntamente com o presidente das Docas Wilbur Jácome para negociar o funcionamento do terminal. A obra foi entregue há mais dois anos e está parada. Estive com o governador com o ministro da Pesca e devo estar indo outra vez a Brasília, trabalhando para viabilizar o terminal que perdemos lá atrás para o Rio Grande do Norte. Temos que retomar. Há interesse de empresários privados e a Paraíba tem potencial.
 
– A ponte ligando Cabedelo a  Costinha vai sair?
 
– Há emendas. Seria uma grande obra, é cara, mas esse ano mesmo o  senador Cássio, em suas emendas, priorizou a ponte.
 
Correio da Paraíba

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