Bertrand Lira

Bertrand Lira é cineasta e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB/Campus I


Uma aproximação com o cinema holandês no Petra Belas Artes à La Carte

A cinematografia holandesa, restrita a cinéfilos e estudiosos, é pouco conhecida por essas bandas. O streaming Petra Belas Artes à La Carte está compensando essa histórica falta de acesso ao cinema daquele país com a mostra ‘Volta ao mundo: Holanda’ que está disponível desde o último dia 14. São oito longas-metragens inéditos no Brasil e realizados entre 1986 e 2021, ou seja, um panorama de 15 anos. A mostra é exclusiva para assinantes até o próximo dia 27 (www.belasartesalacarte.com.br)

A mostra traz como destaque três obras do cineasta Alex van Warmerdam:Abel’ (1986), ‘Borgman: O Mal-intencionado’ (2013) e ‘O Número 10’ (2021), com diversas premiações em festivais pelo mundo, inclusive com seleção em Cannes, Chicago e indicação holandesa para o Oscar de filme estrangeiro. Van Warmerdam é também ator (ele dirigiu e atuou na aclamada comédia ‘O pequeno Tony’ de 1988, único filme do diretor lançado no Brasil) e um dos principais artistas holandeses da atualidade. Além da presença marcante no cinema, Alex van Warmerdam é músico e diretor do grupo teatral De Mexican Hond.

As outras cinco obras presentes na Mostra ‘Volta ao Mundo: Holanda’ são ‘Irmãs gêmeas’ (2002), de Ben Sombogaart, ‘Apenas o melhor para o nosso filho” (2014), de Monique Nolte, ‘Prince’ (2015), de Sam de Jong, ‘Me leve para algum lugar legal’ (2019), de Ena Sendijarević, e ‘Eu não quero dançar” (2021), de Flynn Von Kleist. O cinema dos Países Baixos tem na sua história a marca do documentarista Joris Yvens (1898-1989), o pai do chamado “documentário poético” com obras que são uma referência para o gênero: ‘A Ponte’ (1928) e ‘A chuva’ (1929). 

Irmãs gêmeas’ (2002), do veterano Ben Sombogaart, trata da história das irmãs Lotte e Anna, órfãs aos seis anos. Uma vai viver com parentes ricos na Holanda e a outra fica na Alemanha enfrentando uma dura jornada na fazendo do tio. Ao se encontrarem anos depois, Anna e Lotte vão perceber que estão em lados opostos após a invasão da Holanda pela Alemanha.  Por sua vez, o documentário ‘Apenas o melhor para o nosso filho” (2014), de Monique Nolte, narra a história real de  Kees Momma, um autista de 40 anos que vive sob os cuidados de seus pais octogenários. Mas o que será dele quando seus pais se forem?

 

 

Primeiro longa-metragem de Sam de Jong, ‘Prince’ (2015) é sobre um adolescente problemático que, para conquistar o amor de sua vida, se torna “o garoto mais malvado” do quarteirão onde vive. ‘Prince’ foi o vencedor do prêmio Urso de Cristal de Melhor Filme no Festival de Berlim de 2015. No início da carreira como cineasta, Sam de Jong realizou diversos documentários até enveredar pela ficção. Também estreante em longa-metragem, a diretora Ena Sendijarević, em ‘Me leve para algum lugar legal’ (2019), apostou numa narrativa ficcional para contar a história de uma menina holandesa que vai encontrar, pela primeira vez, seu pai (agora enfermo) na Bósnia. O filme recebeu Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Roterdã e também foi indicado para representar a Holanda no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. 

Mais um cineasta estreante está na mostra ‘Volta ao Mundo: Holanda. É Flynn Von Kleist de ‘Eu não quero dançar’ (2021), baseado nas experiências da vida real do ator principal Yfendo van Praag com sérios conflitos de relação com sua mãe. Joey é um adolescente aspirante a dançarino, que se vê dividido entre sua mãe com fortes sentimentos destrutivos e sua própria individualidade na busca de uma realização profissional. Uma oportunidade única de conferir essa cinematografia que tem revelado em filmes instigantes a sua criatividade. 

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