Uber entra no mercado de ônibus fretados após deixar de entregar comida no Brasil

Rio – Após anunciar o fim das entregas de refeições no Brasil, a Uber estreia em um novo segmento do mercado de transportes: o de fretamento de ônibus. Por meio do Uber Shuttle para Empresas, oferece agora deslocamento de funcionários nos trajetos de ida e volta ao trabalho, em veículos que acomodam de dez a 50 pessoas. O primeiro acordo firmado foi com a montadora Toyota, para o transporte de funcionários entre São Paulo e Sorocaba, onde fica uma de suas fábricas.

A operação funciona de forma similar à de carros. Porém, em vez de autônomos parceiros, são as empresas de transporte interessadas na prestação do serviço que se inscrevem na plataforma da Uber.

O tipo de ônibus depende da necessidade de quem contrata o produto, e há tanto a possibilidade de customização de rotas únicas com horários predefinidos quanto a opção do serviço compartilhado entre um grupo de empresas com necessidades similares. Para ter acesso ao serviço, as companhias precisam estar cadastradas na Uber para Empresas e contratar a ferramenta Shuttle.

No caso da Toyota, há duas linhas exclusivas disponíveis, com trajeto e horário fixos, uma entre São Paulo e Sorocaba, e outra conectando a região do ABC a Sorocaba. Para utilizar, o colaborador precisa fazer um agendamento, escolhendo o ponto de embarque mais próximo de sua residência. O acompanhamento do trajeto e da projeção de horários pode ser monitorado pelo aplicativo.

Mercado em expansão

Segundo a montadora, a solução foi necessária com a mudança da sede administrativa de São Bernardo do Campo para Sorocaba, no último trimestre de 2021. “Quando retornamos com as atividades administrativas de forma presencial, adotamos o modelo híbrido, e os dias de locomoção até a planta passaram a ser alternados.

Logo, a possibilidade de agendar o dia de utilização do serviço passou a ser vantajoso. Além disso, ele oferece mais comodidade aos colaboradores”, afirmou a empresa em nota.

A diretora da Uber para Empresas na América Latina, Tavane Gurdos, também vê um significativo potencial de crescimento no setor de viagens corporativas este ano:

— Esperamos crescimento em linha com o que já tínhamos observado em 2021, quando vimos um grande aumento na venda de vouchers e gift cards, e no transporte de funcionários no trajeto casa-trabalho.

Fazendo o transporte de funcionários com fretamento de ônibus e micro-ônibus há algumas décadas, a JSL viu, desde o início da pandemia, crescimento dessa modalidade de serviço, com a necessidade de manter o distanciamento entre os passageiros. Para 2022, mantém expectativa positiva.

Com o retorno ao modelo de trabalho presencial e a adoção do sistema híbrido pelas organizações, a sócia da consultoria MB Associados Tereza Fernandez prevê que o fretamento empresarial seja impulsionado:

— Na pandemia, vimos muitas pessoas saindo das capitais, indo para o litoral, regiões serranas, cidades em um raio de cem quilômetros de onde trabalham. Essa turma não vai voltar e vai precisar usar esse tipo de transporte.

Ela diz que, no caso das empresas, é mais vantajoso financeiramente oferecer o serviço de fretamento, dependendo da quantidade de empregados, do que dar vale-transporte. Tereza afirma que o mercado desse tipo de serviço vem mudando nos últimos anos e não se limita ao transporte de funcionários:

— É um mercado que sofreu muito com a pandemia, mas agora tem múltiplas possibilidades, indo do fretamento para excursões até o deslocamento interestadual, por meio de empresas como Buser e Clickbus. Com a queda de casos de Covid, a demanda tende a aumentar.

Novos serviços

A Buser, que tem o fretamento colaborativo como seu principal foco, passou a diversificar o negócio, apostando em outras frentes: o Buser Encomendas, de transporte de cargas, e o Buser Passagens, marketplace de passagens de ônibus em parceria com empresas que atuam em rodoviária.

Segundo a companhia, o objetivo é consolidar esses novos serviços. Porém, a start-up confirma que “tanto o fretamento corporativo quanto o transporte urbano” estão em seu radar. Já a Clickbus ainda não tem uma operação focada em transporte empresarial, nem faz gestão de frota.

 

 

 

 

O Globo Online

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