Célia Chaves

Jornalista, graduanda de Psicologia, no Uniesp.


Transtorno de ansiedade: sem tempo para o presente

Amanhã pode ser a entrevista para o emprego dos sonhos; o dia daquele encontro tão aguardado; o momento reservado à exposição pública do seu trabalho de pesquisa; ou, quem sabe, a data de viajar a bordo de um avião. Para alguns, circunstâncias consideradas até simples. Mas, na vida de muitas pessoas, são situações capazes de despertar gatilhos de ansiedade, medo, estresse e pânico, devido a um transtorno cada vez mais abrangente e assustador.

​Antes mesmo da pandemia, o Brasil ganhara o título de campeão de ansiedade, conforme relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde). Pra variar, as mulheres lideram o ranking, em proporção bastante superior ao universo masculino. Em meio à conjuntura pandêmica, o quadro agravou-se intensamente.

​Ansiedade, medo e estresse permeiam vidas e sensações que andam juntinhas. Embora tenham significados diferentes, as características fusionam-se de tal forma que a tríade parece sempre inseparável. Afinal, como falar de ansiedade sem pensar no medo do que pode acontecer em lampejos de segundos? Ou daqui a um, dois, três … dez anos? Essa carga de sentimentos negativos gera estresse, inflando ainda mais os níveis de ansiedade.

​A pessoa com transtorno de ansiedade apresenta forte dificuldade para viver o “aqui agora”. O medo do futuro a paralisa, engessa, deixando-a em lugar de profundo desconforto. Esse sofrimento pode tornar-se insuportável quando associa-se à depressão e melancolia. É que, nesses casos, a relação com o passado também costuma dar sinais desalentadores.

​ Submerso às crises de ansiedade e depressão, o ser humano cai na esparrela de ocupar-se tão somente com o passado e futuro. Esquece o presente, que logo será passado. E o futuro? Ah, depende muito daquilo que se constrói hoje, sobretudo nos quesitos qualidade de vida, relações humanas e empreendimento de esforços.

​Nunca será fácil fugir das “armadilhas da vida”, como disse Milton Nascimento, na sua memorável “Caçador de mim”. A relação disfuncional com o passado e o medo demasiado do futuro afligem a existência humana. São fontes de angústia. Sobretudo em tempos de bombardeios de informações, falsas e verdadeiras.

Se antes o indivíduo sofria apenas com imagens de algo que acontecia quase à sua porta, atualmente internaliza cenários de violência, miséria, doença e desumanidade, a todo instante, em qualquer local. Não é fácil controlar as emoções, tampouco o medo, estresse e ansiedade.

Mas há algumas recomendações capazes de atenuar, consideravelmente, o transtorno de ansiedade. Claro que muitas delas já se sabe até desenhar. Só falta aprender, antes de partir imediatamente para os diversos fármacos, oferecidos, às vezes , inadequadamente. Esses medicamentos podem gerar sérios prejuízos à memória, sexualidade e ao desenvolvimento psicomotor, além de causar dependência e ganho de peso.

Vale a pena, portanto, incorporar hábitos saudáveis: praticar exercícios físicos, sair com amigos, experimentar uma psicoterapia, meditar, ler, buscar aquilo que enche a alma de satisfação e prazer. A vida pode até pregar peças, mas, quando alimenta-se mente e corpo de forma adequada, as coisas passam a fluir mais leve a agradavelmente.

4 comentários

  • ELDEMIR ALENCAR DE OLIVEIRA
    10:45

    Parabéns pelo texto!

  • Francisca Fam
    10:45

    Texto pertinente ao contexto atual abordado numa linguagem de fácil entendimento! Parabéns pela clara e leve maneira de escrever sobre um assunto tão difícil.

  • Maria Luiza Seabra
    10:45

    Nunca tinha lido um texto tão expressivo e claro como esse, onde ao lermos, parece que estamos conversando com a autora, informações prescisas, meus parabéns.

  • Leandrac
    10:45

    Texto perfeito. Me identifiquei nele .
    Parabéns pela matéria 👏

Comentários

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