Título de Cidadão Pessoense para Bolsonaro gera polêmica na Câmara

Um requerimento concedendo um Título de Cidadão Pessoense para o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), de autoria do vereador Carlão (PSDC), gerou polêmica e várias críticas de parlamentares na Câmara Municipal de João Pessoa nesta terça-feira (10).

Contrário a concessão do título, o vereador Marcos Henriques (PT) disse que a Câmara precisa discutir a concessão de honraria na Casa de maneira mais consistente. Ele foi enfático ao lembrar que o artigo 209 do Regimento Interno da casa estabele que o homenageado tem que ter serviço prestado a cidade de João Pessoa, o que, segundo o parlamentar, não é o caso de Bolsonaro.

“Ele presta um desserviço, não só a João Pessoa mas ao Brasil, quando ele prega o ódio, quando ele tem uma postura totalmente racista. Todas as atitudes do deputado Jair Bolsonaro são no sentido de sangue, quando ele diz que tem que eliminar 30 mil pessoas no país”, afirmou.

O parlamentar espera que a Câmara rejeite a honraria proposta a Bolsonaro e disse, inclusive, que vai convocar a militância para que acompanhe os trabalhos da Câmara. “Um título dessa monta diminui muito a Casa Napoleão Laureano”, disse Marcos Henriques. (Confira áudio do que diz Marcos Henriques sobre a proposta).

O mesmo pensamento do parlamentar petista foi compartilhado pela vereadora Sandra Marrocos (PSB). “É um absurdo essa Casa conceder o Título de Cidadão Pessoense para Bolsonaro. Para isso, primeiro tem que se fazer algum serviço relevante para a cidade de João Pessoa. O que foi que esse rapaz fez de relevante? Ele fez um desserviço para a humanidade”, afirmou a vereadora citando declarações do parlamentar que caracterizou como machistas, racistas e homofóbicas.

“Um ano atrás, ele (Bolsonaro) desrespeitou o povo indígena. Ele é misógeno quando diz que nós mulheres temos que ganhar menos que os homens por que engravidamos, fui mãe três vezes e a maternidade nunca me deixou maior nem menor do que os outros. Ele diz que precisamos nos defender com armas, quando temos que investir em políticas públicas de prevenção. Não darei esse título a esse cidadão que prega que bandido bom é bandido morto”, continuou Sandra.

Já o vereador Humberto Pontes (Avante) também citou o Regimento da Casa em que diz que as honrarias são concedidas a quem comprovadamente tenha prestado relevantes serviços a João Pessoa e ao Estado. “Que serviço prestado ele tem à cidade? Esta Casa não aceita. Confio nos pares da CCJ que irão honrar o Regimento Interno. Mas se a CCJ entender como constitucional, que o Plenário rejeite o projeto”, enfatizou.

Para Leo Bezerra (PSB), não há obstrução para que o projeto passe na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). “Quanto ao aspecto constitucional, não podemos fazer nada. Mas quanto ao mérito, me posiciono contra. Não conheço nenhuma obra, ação ou emenda que ele tenha trazido para a Paraíba”, afirmou.

Tibério Limeira (PSB) questionou a atuação do deputado até no Estado pelo qual é deputado, o Rio de Janeiro. “Em 26 anos de atuação parlamentar, qual o projeto releva nte que ele apresentou? Absolutamente nenhum. A aprovação desse projeto será muito ruim para a CMJP. Ele não merece nem mesmo para o estado que nasceu, porque não produziu nada nem para lá. Com todo respeito, faremos o debate democrático, mas encaminhamos pela rejeição ao título”, revelou.

O vereador Carlão (PSDC) disse que protocolou o Título de Cidadão Pessoense ao deputado Bolsonaro pelo seu “relevante trabalho feito pela nação”. “Quem faz pela nação, faz pela Paraíba e por João Pessoa. Ele trabalha contra a erotização de crianças e não foi envolvido em um grande mar de corrupção que assola Brasília e o Distrito Federal. Ele representa uma parcela da sociedade que luta contra a corrupção”, afirmou Carlão, defendendo a honraria proposta e criticando a cidadania concedida pela CMJP, há 20 anos e entregue em 2017, ao ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, a quem chamou de condenado”, afirmou.

Segundo ele, Bolsonaro está resgatando uma nova política. “Ele está trazendo uma política conservadora e de direita que aqui é taxada como misógena, homofóbica. Ele diz não ao aborto e sim à vida; diz para que tenhamos austeridade e força na segurança pública para que o empresário não seja assaltado nem nossas filhas abusadas”, ressaltou.

Para Thiago Lucena (PMN), a concessão de honrarias deve ser mais precisa e seguir o Regimento Interno. “A concessão de honrarias precisa deixar de ser discussão ideológica e passar a ser matemática”, acredita Thiago. Já o vereador João Almeida (Solidariedade), defende que todas as opiniões devem ser respeitadas. “Temos que respeitar o contraditório e a opinião de cada um aqui”, afirmou João Almeida destacando que foi a favor da concessão da cidadania para Lula, como é a favor da honraria para Bolsonaro.

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