TAC garante abertura de creches durante as férias em Campina Grande

Em Campina Grande, a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) – para garantir a alimentação de pelo menos 3,5 mil crianças durante as férias – trouxe alívio para as famílias carentes, como a de dona Luzinete Silva da Costa, 40 anos, moradora de uma comunidade do distrito de São José da Mata. Ela, o marido e um casal de filhos, sobrevivem com uma renda mensal de apenas R$ 70. A abertura da creche durante as férias vai garantir a alimentação do filho dela de 3 anos, que quando está em casa não se alimenta corretamente.

O esposo da dona de casa é trabalhador braçal e não consegue manter a família com o pouco que ganha. “O ganho é pouco. Meu marido recebe R$ 90 por mês. A gente paga R$ 10 de água, R$ 10 de luz e o restante fica para fazer a feira. A gente come pouco, tem dia que tem, tem dia que não tem”, lamentou Luzinete Costa. A família de Luzinete sobrevive de doações. Os mantimentos para o Réveillon são um pacote de feijão, um de sal e um de biscoitos, além de um restante de pó de café. “Hoje, eles comeram bolacha com café logo cedo, quando for no almoço vão comer arroz e na janta cuscuz com café, que se sobrar vai ser o café da manhã do outro dia”, disse, sem esperança.

Religiosa, a dona de casa faz preces para que alguém doe alimentos à família. “Só resta pedir a Deus que uma alma caridosa possa nos ajudar, trazendo alguma coisa pra gente comer. Está tudo acabando e não sei mais como vai ser daqui pra frente”, contou, chorando.

“Ele lá, sobra mais comida para a irmã”

Quando o filho está na creche, o número de pessoas para se alimentar na casa diminui, e Luzinete Silva fica mais aliviada. “A gente pensa nos meninos que são muito pequenos e não aguentam ficar com fome. Ele lá na creche come cinco vezes por dia e só janta em casa. Então, sobra mais comida pra irmã dele, que só lancha na escola uma vez. Eu, o meu marido se viramos do jeito que dá. O que não pode é eles ficarem com fome”, disse, ressaltando que são raras as oportunidades em que a família come carne nas refeições.

“Essas escolas são um presente de Deus, porque quando os meninos estão lá a gente sabe que eles vão comer alguma coisa. Só isso mesmo pra ainda dar esperanças da gente correr atrás de alguma coisa para ganhar um dinheirinho. Porque se fosse pra correr atrás com eles chorando no colo eu não conseguiria”, disse Luzinete.

A filha do casal, uma menina de 13 anos, revelou não conseguir estudar alguns dias por sentir fome. “É muito ruim fazer a tarefa de casa com fome. Ainda tento, mas, não consigo. Dá uma agonia na barriga que a gente não consegue fazer mais nada”, revelou a garotinha.  A família Silva mora em um cubículo de dois cômodos na Rua Luis Antonio, popularmente conhecida como Rua da Fuba. No primeiro cômodo estão espremidas uma cama de solteiro, uma pequena estante, e uma geladeira, o que caracteriza uma espécie de quarto e sala, ao mesmo tempo. Na segunda parte da casa, fica outra cama de solteiro, a dos filhos, um fogão e uma outra estante, onde são guardados os mantimentos.    “Graças a Deus ainda temos esse lugar pra morar, porque se não a gente ia viver na rua, como pedinte mesmo. É pequeno mais a gente vai se virando”, disse.

PMCG paga multa diária se descumprir

O TAC foi assinado no início do mês pela Prefeitura de Campina Grande e o Ministério Público. O acordo vai garantir, a partir do dia 6 de janeiro, a abertura de 35 creches do município. O descumprimento gera uma multa diária de R$ 5 mil.

O promotor da Criança e do Adolescente de Campina Grande, Herbert Targino, espera que o TAC seja cumprido. “Queremos somente que o acordo seja cumprido e que a população seja atendida da melhor maneira possível. Não temos o interesse em aplicar sequer um real de multa”, ressaltou.

Segundo o prefeito da cidade, Romero Rodrigues, as creches serão abertas. “Vamos abrir sim. Como também assumimos o compromisso, junto ao Ministério Público, de cuidarmos das 10 creches estaduais que atualmente existem em Campina Grande. Sabemos da carência e da necessidade da população. Entendemos que a educação de base deva ser uma atribuição do município, cabendo ao Estado se responsabilizar pelo ensino médio”, explicou.

Correio da Paraíba

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