Suplicy bate boca com Heráclito e dá cartão vermelho a Sarney

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) voltou a cobrar ontem, em discurso, a renúncia do senador José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. Suplicy disse que Sarney deve esclarecer as denúncias que há contra ele ou renunciar ao cargo.

"Não conseguimos votar nenhuma proposição importante nesse segundo semestre do Senado, e não se vislumbra quando isso poderá acontecer. No meu entender, o arquivamento das representações não foram suficientemente esclarecidas. Para voltarmos à normalidade, o melhor caminho é que Sua Excelência renuncie ao cargo no Senado."

Com um cartão vermelho em mãos, Suplicy comparou a crise da Casa com um jogo de futebol ao afirmar que Sarney deve receber o cartão para deixar o comando da instituição.

"Se há forma do povo brasileiro compreender bem o que isso significa, é falarmos a linguagem do esporte mais popular do Brasil. Em virtude do presidente Sarney não ter aceito a sugestão de explicar tudo, o que faz o juiz nos campos de futebol do Brasil para que todos entendam? Apresenta o cartão vermelho", disse ao levantar o cartão.

Suplicy fez o discurso depois de trocar farpas com Sarney no plenário nesta segunda-feira. Na opinião do petista, as 11 denúncias e representações conta o presidente do Senado que foram arquivadas pelo Conselho de Ética da Casa "ainda não foram suficientemente esclarecidas".

O petista rebateu, uma a uma, explicações apresentadas por Sarney nos últimos meses a respeito das 11 acusações que resultaram nos arquivamentos. Em referência à acusação de que a empresa de um neto de Sarney foi beneficiada em contratos de empréstimos consignados firmados pela Casa, Suplicy disse que efetivamente instituições financeiras tiveram lucros depois que a empresa do neto do parlamentar foi contratada.

"Não estou afirmando que tenham relações, mas que cabe a investigação, no mínimo", afirmou Suplicy. O petista também criticou o fato de Sarney ter negado parentesco com pessoas nomeadas para cargos no Senado com quem efetivamente tem ligações familiares.

"O senador Sarney disse que Isabela Murad também não era sua parente, que a nomeou a pedido de um primo do governador do Maranhão. Ele deixou de dizer, nessa passagem, que ela é sobrinha do seu genro, Jorge Murad", disse Suplicy.

A reação veio de um senador da oposição, que disse a Suplicy que ele faltava com a verdade.

“Senador Heráclito Fortes, vossa excelência não estará sendo justo comigo, não está agindo de maneira correta ao querer dizer que não fui sincero!”, diz Suplicy.

“Espere, calma!”, diz o senador Heráclito Fortes, (DEM-PI).

“To esperando!”, responde Suplicy.

“Zezinho, por favor, um suco de maracujá para o senador, urgente!”, diz Heráclito.

“Eu aqui bato na mesa, eu aqui coloco o cartão vermelho para vossa excelência", diz Suplicy.

“Vossa excelência não tem coragem de dar cartão vermelho ao Lula, para o país todo ver, não queira ser juiz de futebol, não é um exemplo pra vossa excelência", declara Heráclito.

Foi tanto bate boca, que o juiz, ou melhor, o presidente da sessão ameaçou encerrar. “Quem tá com o apito aqui sou eu”.

Censura – O petista havia se preparado para discursar contra a permanência de Sarney no cargo nesta segunda-feira, mas adiou o pronunciamento a pedido do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Suplicy disse que o líder da bancada lhe pediu para reformular trechos do discurso antes de fazer sua leitura formal no plenário, por isso adiou o pronunciamento por 24 horas.

Sarney não acompanhou o discurso de Suplicy. O petista pediu para que o senador ficasse em plenário para ouvir suas palavras, mas Sarney argumentou que tinha compromissos fora do local. Frustrado, Suplicy manteve o discurso, mas lamentou o fato de Sarney não estar no plenário.

O petista disse que decidiu reagir depois de passar o final de semana em São Paulo, onde foi cobrado por eleitores e professores para fazer um discurso no plenário do Senado contra a permanência de Sarney no cargo.

Folha Online e Jornal da Globo

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