Onivaldo Júnior

Onivaldo Júnior é formado em Jornalismo e Música pela Universidade Federal da Paraíba, com mestrado em Educação Musical também pela UFPB. Professor particular de canto, professor de Artes em duas escolas do Município de João Pessoa e maestro do Mosaico Coral.


Sobre ecumenismo

O dia 8 de dezembro, no calendário católico, é consagrado a Nossa Senhora da Conceição. Neste dia, muitos pescadores e/ou pessoas ligadas às religiões afro-brasileiras vão às praias render homenagens a Iemanjá (são correspondentes pelo sincretismo religioso).

Sou admirador desse tipo de manifestação. Acho lindo ver as cores, os figurinos, apreciar as danças, ouvir os cantos, o respeito… gosto de ir ver, demonstrar, mesmo que silenciosamente, meu apoio àquela crença.

Num cenário pandêmico, fiquei em casa e não me permiti prestigiar, presencial e pessoalmente, como foi esta festa em 2020. Quero crer que fora tão bela e significativa quanto em anos anteriores.

Lembro que, num desses anos passados, enquanto caminhava na calçadinha de Tambaú, naquele dia especialmente mais cheia do que de costume, deparei-me com pessoas distribuindo papeis com mensagens cristãs de Igrejas protestantes, clamando à conversão.

Ora, os evangélicos também são livres para manifestar sua fé em locais públicos.

Por isso, acho que nas “Marchas Para Jesus”, podíamos ver uns afoxés, uns tambores, cantos e danças bem afros, uns barquinhos com imagens de Iemanjá, como uma maneira de mostrar que as duas manifestações são puramente ecumênicas…

…e que uma não quer se sobrepor à outra.

Sim, porque, claramente, a intenção dos papeizinhos não era essa, né?

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