Dom Manoel Delson

Dom Manoel Delson cursou Filosofia e Teologia em Nova Veneza (SP) e no Instituto de Teologia da Universidade Católica de Salvador (BA). É licenciado em Letras e tem Mestrado em Ciência da Comunicação Social, em Roma, na Pontifícia Universidade Salesiana. É Arcebispo da Paraíba.


“Serão iguais aos anjos”(Cf. Lc 20,36)

Os estados de vida do matrimônio, celibato e sacerdócio são vividos no seio da Igreja em vista da evangelização do mundo, pois ninguém se casa ou se dedica exclusivamente ao Reino de Deus, como sacerdote ou celibatário, voltado para si ou para projetos próprios. Tais estados também devem ser vividos na perspectiva da complementariedade, o padre não é uma vocação isolada, que não reclama a presença de pessoas que abraçaram a beleza do sacramento do matrimonio.

O celibato é um precioso dom cultivado pela Igreja, e tem a missão de lembrar aos homens e mulheres de todos os tempos que a vida humana aqui na história deve ser abraçada em vista daquilo que não passa. Esse maravilhoso dom nem sempre é compreendido pela mentalidade mundana, pois nos é imposto cada vez mais um ambiente onde se cobiça excluir Deus, dando largas ao poder pelo poder, a posse desmedida e ao prazer. Para a Igreja, o celibato deve ser vivido orientado para o mundo futuro, que é a realidade ressuscitada: “ser igual ao anjos”(Cf. Lc 20,36). “Um grande problema da cristandade do mundo de hoje é que já não se pensa no futuro de Deus: só o presente deste mundo parece suficiente. Queremos ter só este mundo, viver só neste mundo. Assim fechamos as portas à verdadeira grandeza da nossa existência. O sentido do celibato, como antecipação do futuro, é precisamente abrir estas portas, tornar o mundo maior, mostrar a realidade do futuro que deve ser vivido por nós como presente.” (Papa Bento XVI). A vida angélica que nos aguarda no futuro de Deus não significa desprezar a realidade do corpo nesta vida, o celibato não nega a realidade corpórea, mas busca se relacionar com esta, com os outros e com as coisas com o olhar e coração voltados exclusivamente para Deus.

O matrimônio possui beleza própria e jamais deve ser apresentado como uma vocação de segunda categoria. Os casados lembram aos celibatários que a plenitude do Reino dos Céus ainda não se cumpriu, ainda aguardamos a volta definitiva de Nosso Senhor Jesus no meio de nossa história. Lembra a todos que o amor divino escolheu a carne dos homens para habitar e manifestar toda potência da capacidade de amar. Quem se casa deve ter essa consciência de amar até a cruz. O matrimônio, o sacerdócio e o celibato são chamados de Deus para os homens e mulheres deste tempo e, mesmo com as crises que nos cercam e nos abalam, somos continuamente interpelados pela graça de Deus a apontar o Seu futuro para todos: uma vida angélica e encarnada no céu! Ambos estados de vida são chamados a plantar o amor desinteressado, amor que exorciza o egoísmo e a indiferença, tão frequentes em nossos dias.

“Serão iguais aos anjos”(Cf. Lc 20,36)

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