Secretário afirma que governo do PSB fragiliza política clientelista

O professor Carlos Alberto Dantas, recém-alçado à condição de titular da Secretaria de Infraestrutura do Estado, escreveu um artigo no qual compara as recentes formas de governo e, embora não cite textualmente o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), deixa indiretamente clara sua referência à época em que o tucano chefiou o executivo estadual. Em "De coronéis e republicanos", o secretário afirma que modo socialista de gestão provoca a ira e repugnância dos “chefes” políticos.
 
Confira a íntegra do texto:
 
De coronéis e republicanos

Muito se tem refletido acerca do debate em curso quanto ao contributo do Governo Ricardo Coutinho ao processo de desenvolvimento do ESTADO da Paraíba. Enumeram-se obras públicas de grande relevância e impacto na pauta histórica das demandas sociais, e, nesse campo estão os hospitais, leitos hospitalares, escolas técnicas, ações do empreender, entre tantos outros.

Em outro setor, ressaltam-se obras de infraestrutura, entre as quais destacam-se as adutoras, o canal Acauã x Araçagi, o Centro de Convenções, construção e recuperação de centenas de quilômetros de estradas, além de inúmeras obras garantidoras de segurança hídrica para as populações. 

Somam-se a este importantíssimo acervo, as ações e obras que foram consolidadas pela via do PACTO SOCIAL, através do qual centenas de municípios celebram convênios com o ESTADO, com foco no desenvolvimento social, impulsionando  profundas repercussões na elevação da qualidade de vida das populações.

É, sem dúvida, um histórico invejável, demonstrando o quanto de próspero, previdente e dinâmico tem sido o Governo Ricardo Coutinho. Todavia, mesmo se  reconhecendo a elevada importância dessas realizações, há que se atentar para um outro nível de contribuição, e esse bem  mais importante, e pela qual será diferencialmente reconhecido pela HISTÓRIA política da Paraíba. Soergue-se sua ATITUDE, sua POSTURA como governante que rompe com a dependência estrutural, pela qual governantes mantinham-se reféns de uma elite política arcaica e sedenta em viver às custas do Estado.

Ao adotar o “ORÇAMENTO DEMOCRÁTICO” como a política de governo que consolida a gestão democrática, transparente e participativa do seu governo, Ricardo Coutinho demonstra claramente sua vontade e decisão de constituir um espaço privilegiado no qual segmentos da população e comunidades manifestam e apresentam, claramente e publicamente, suas demandas e reivindicações, formulam suas críticas e opiniões, cobram e elegem prioridades; fiscalizam e acompanham o cumprimento daquilo que foi pactuado nas plenárias e estabelecem nesse âmbito o diálogo direto e transparente com o ESTADO.

Esse processo, republicano, sem intermediários, em que os cidadãos defendem diretamente e livremente suas propostas e idéias, reconheça-se, promove o início de um ciclo que coloca na “ordem do dia” o combate ao clientelismo patrimonialista que hegemonizou historicamente as relações de poder em nosso ESTADO.

Ao viabilizar o empoderamento do cidadão torna vulnerável a tão sedimentada política clientelista.  O intermediário e aproveitador, invariavelmente chefe político local ou regional, perde sentido e influência. Abre-se um novo ciclo em que a cidadania adquire plenitude com toda sua singularidade.

Esse ambiente, novo na cena política da Paraíba, introduzido pelo Governador Ricardo Coutinho, militante formado nas lutas democráticas e sociais do povo, provoca a ira e repugnância dos “chefes” políticos. Trata-se na realidade de uma reação natural e defensiva dessas elites, buscando preservar seus privilégios históricos, bem como a sobrevida do mandonismo.  Sobrevida de quem sempre “negociou” os interesses da coletividade com a finalidade de obter “concessões” “generosas” do ESTADO. Ora, afinal as demandas das populações e comunidades, sempre foram moedas de trocas, através das quais, as oligarquias e seus respectivos coronéis potencializavam seu poder e riqueza, quase sempre consolidado as custas das benesses do poder.

Assistir ao povo exercer livremente e diretamente o controle dos seus próprios interesses é algo inaceitável, simplesmente inadmissível para as elites mandonístas. Para estes coronéis é chegada a hora, portanto, de estigmatizar e combater esse Governante/chato e que não cede aos seus interesses, e que ao mesmo tempo é responsável por essa tamanha “irresponsabilidade” de promover o empoderamento do povo. Os velhos e novos oligarcas perdem a paciência e unem-se para mudar o rumo da política, e tentar fazer valer os seus negócios, pois para eles a política sempre foi, e será um grande negócio. A palavra de ordem então é GOLPE! Tirar esse homem da política!

Para os que têm a democracia como princípio fundador, e também aqueles que estão convencidos da necessidade de implementar uma autentica política norteada pelos princípios republicanos, como condição imprescindível ao verdadeiro desenvolvimento, o grande contributo e a mais importante marca do Governo Ricardo Coutinho é essa POSTURA, essa ATITUDE. Ao assumir o desafio de governar com o povo, resgatando o ESTADO das garras do clientelismo, tornando-o, de fato, indutor do processo de desenvolvimento, parceiro das aspirações populares, o Governador faz-se merecedor do respeito e apoio, necessários e garantidores de que esse novo ciclo se consolidará. Essa é a verdadeira modernidade, sem a retórica da ”PAZ E DO BEM”, mas com a certeza de que a verdadeira democracia é aquela que respeita o patrimônio público e promove o bem estar da maioria do povo. Certeza de que a verdadeira “PAZ” é aquela que resulta do atendimento aos diretos básicos de todos os cidadãos com melhoria da sua qualidade de sua vida. Sem clientelismo, sem cabrestos, sem novos e velhos coronéis, todos terão direito ao “BEM”.

O Governador paga um preço alto por seu destemor e por sua fidelidade as suas próprias convicções republicanas e democráticas. Não há dúvidas de que o povo estará ao seu lado, afinal é sua causa que está em jogo.


CARLOS ALBERTO DANTAS BEZERRA
Professor Universitário  e  Secretário Executivo da SEIE/PB.

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