Roberto Cavalcanti emprega filha de secretário da Receita

Confirmado na última quinta-feira, 13, pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) no comando da Receita Federal, Otacílio Cartaxo emplacou a nomeação de uma filha no gabinete do amigo e senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB). A indicação de Leda Camila Pessoa de Mello Cartaxo ocorreu em março, um mês após o suplente Cavalcanti assumir a vaga aberta com a renúncia do titular José Maranhão (PMDB), hoje governador da Paraíba. Na ocasião, Otacílio Cartaxo era o adjunto da ex-secretária Lina Maria Vieira, protagonista da mais nova saia justa a rondar a sala da presidenciável e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Formada em direito, Leda Camila ocupa o posto de assistente parlamentar, com salário de R$ 2,8 mil, na cota de cargos de confiança preenchida sem concurso público. Cada um dos 81 senadores tem a prerrogativa de usar as vagas como bem entender. As recentes denúncias de nepotismo (contratação de parentes de senadores e diretores), funcionários fantasmas e outras irregularidades no Senado Federal vêm no rastro dessa brecha.

Em relação à filha do agora secretário da Receita, há uma curiosidade. O senador Roberto Cavalcanti é empresário. Foi acusado pelo Ministério Público Federal na Paraíba no chamado "Escândalo da Fazenda Nacional”. O caso envolve denúncias de sonegação de milhões de reais em impostos. De acordo com a apuração do MPF, empresas quitavam dívidas por um milésimo do valor do débito. Dezenas de processos tramitam na Justiça.

ÉPOCA localizou, por telefone, Leda Camila no gabinete de Cavalcanti. Ela argumentou que não estava autorizada a comentar seu processo de nomeação. Transferiu a ligação ao chefe de gabinete, Marco Aurélio de Oliveira. O servidor informou que ela se habilitou à vaga, apresentou currículo como qualquer outro pretendente ao posto, mas admitiu que a amizade entre Cartaxo e o parlamentar pesou na hora da contratação. "Eles são amigos há mais de trinta anos", disse Oliveira. A reportagem perguntou ao novo secretário da Receita o que ele acha de a filha trabalhar ao lado de um senador investigado por sonegação. Por meio da assessoria, ele informou que não se manifestaria.
 

Época

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