Roberto Cavalcanti cobra respeito aos suplentes

Em pronunciamento hoje, o senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB) classificou como "uma vergonha" o comportamento de senadores que usam a palavra "para ofender outros colegas, para questionar e simplesmente posar de bom moço perante a opinião pública". Para ele, o comportamento é uma forma indelicada, que busca "realimentar assuntos que a principio já foram juridicamente decididos" pela Casa.

Momentos antes, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) aparteara discurso em que o presidente do Senado falava sobre o escritor Euclides da Cunha, dizendo-lhe que não concordava com decisão recente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que arquivou as representações contra o senador pelo Amapá. A sessão em homenagem aos 100 anos de nascimento do autor de Os Sertões foi realizada no último dia 18, mas Sarney não discursou na ocasião.

– Convido os amigos a fazerem uma reflexão no sentido de que possam analisar o que nós queremos desta Casa. Reaquecer um assunto aqui da forma que foi reaquecido minutos atrás visa única e exclusivamente posar de maneira falsa perante a opinião pública. Fica assistindo ao que a opinião pública deseja, ao que a opinião pública quer ouvir, para sair daqui acompanhado de centenas de jornalistas porque isso, sim, dá ibope. Vir aqui fazer pronunciamento sobre assunto sério não dá ibope, pelo contrário – afirmou.

Em aparte, José Sarney agradeceu a solidariedade.

Roberto Cavalcanti também manifestou repúdio às críticas dirigidas à figura do suplente e lembrou que essa é uma instituição prevista e reconhecida pela legislação eleitoral, uma vez que a eleição de um senador também implica a eleição de seu suplente, conforme previsto pelas normas atuais. Cavalcanti foi eleito, em 2002, como suplente de José Maranhão, que deixou o Senado para assumir o governo da Paraíba.

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) manifestou apoio a Roberto Cavalcanti e disse que as criticas aos suplentes constituem uma "deturpação da realidade democrática". Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) esclareceu não ser contrário à figura do suplente, mas favorável à sua eleição, nos casos em que o titular assumir um novo cargo durante o mandato, a exemplo de ministro de Estado ou secretário estadual.

Roberto Cavalcanti disse que o suplente "não tem o respeito e a deferência que deveria ter", acrescentando que "não há nenhuma indignação na Casa sobre isso". Ele lamentou que "ninguém se levante para protestar contra o tratamento que alguns colegas e membros da imprensa" dão aos suplentes.

Biodiesel – Cavalcanti iniciou seu pronunciamento, contudo, elogiando o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, mas lamentou que até o presente momento nenhuma unidade de produção do combustível tenha sido construída na Paraíba, em que pesem as condições favoráveis locais e a necessidade de geração de emprego e renda.

Roberto Cavalcanti lembrou que em abril passado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou a terceira unidade de produção de biodiesel da Petrobras em Montes Claros (MG). As outras duas foram instaladas em Candeias (BA) e em Quixadá (CE), cumprindo com a finalidade do programa relacionada à geração de renda e emprego.

O senador ressaltou que a promessa de construção de uma usina de biodiesel na Paraíba foi reiterada pelo presidente Lula em visita ao estado, no último dia 28, mas observou que a Petrobras ainda não se manifestou a respeito do empreendimento.

Roberto Cavalcanti assinalou ainda que a construção de uma usina para a produção de biodiesel já foi reivindicada pela Assembléia Legislativa da Paraíba por meio de moção também assinada pelo senador e encaminhada ao ministro de Minas e Energia, o senador licenciado Edson Lobão.

O senador disse que algumas razões justificam a instalação de uma usina de biodiesel na Paraíba, entre elas a de que o estado é um dos que apresentam um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, exigindo uma política de geração de emprego e renda de caráter permanente. O índice é calculado com base em indicadores de riqueza, educação e expectativa média de vida.

No que diz respeito às condições para a implantação da usina, Roberto Cavalcanti destacou que a Paraíba apresenta condições competitivas para o plantio de oleaginosas, em particular a mamoneira, em uma área que abrange 52 municípios, de acordo com o Centro Nacional de Pesquisa do Algodão (CNPA) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A Paraíba também tem se destacado na pesquisa envolvendo a caracterização físico-química e a definição do potencial genético do biodiesel da mamona, soja, babaçu, dendê, algodão e girassol. Além disso, afirmou Roberto Cavalcanti, pesquisas relacionadas ao cultivo de mamona e à produção de biodiesel têm sido desenvolvidas com sucesso nos cursos de Engenharia Agrícola e de Química da Universidade Federal de Campina Grande e na Embrapa.

Outro aspecto que favorece a criação da usina de biodiesel, na avaliação de Roberto Cavalcanti, é o fato de o governo federal "estar em dívida" com a Paraíba, tendo em vista que o estado foi excluído do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e não conta com nenhum grande projeto estruturante local.

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