Bertrand Lira

Bertrand Lira é cineasta e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB/Campus I
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‘Retratos Fantasmas’, de Kleber Mendonça, abre o 51º Festival de Cinema de Gramado

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O novo filme do pernambucano Kleber Mendonça Filho é a grande expectativa da programação da 51ª edição do Festival de Cinema de Gramado que teve início nessa sexta, 11, com uma vasta programação que privilegiou o público infantil com a exibição do longa ‘Chef Jack – O cozinheiro aventureiro’, de Guilherme Fiuza Zenha, em sessões matutina e vespertina no Palácio dos Festivais. Um sinal positivo para a formação do público infanto-juvenil para o nosso cinema.

Na realidade, o Festival de Cinema Gramado deu início a essa jornada há décadas combinando filmes com um certo apelo de grande público com obras, digamos, para iniciados. Este ano, ‘Retratos Fantasmas’, de Kleber Mendonça Filho é o filme de abertura de sua 51ª edição, que inclui também um filme do cearense Petrus Cariry, um diretor que constrói suas narrativas com ritmo mais lento, poucos personagens, ações rarefeitas e economia nos diálogos. 

HAMLET – Direção: Zeca Brito 

A concorrida cerimônia de abertura ontem de manhã contou com a presença da ministra da Cultura, a cantora Margareth Menezes na Sociedade Recreio Gramadense com a presença de autoridades e diversos cineastas. A ministra enfatizou o papel dos festivais na abertura de espaços para a diversidade da produção cinematográfica brasileira. Na tarde deste sábado, foram exibidos doze filmes dentro da Mostra Curtas Curtas-metragens Gaúchos contemplando a produção do Rio Grande do Sul neste formato. Dentro de sua proposta de capacitação, o festival proporcionou a palestra de Vera Zaverucha ‘Desvendando a regulação do audiovisual no Brasil’.

‘Retratos Fantasmas’, de Kleber Mendonça (fora de competição) abriu a programação e foi seguido da exibição de dois filmes da Mostra Competitiva de Curtas-metragens (com duas obras do Rio de Janeiro: ‘Yãmî Yah-Pá’, de Vladimir Seixas, e ‘Deixa’, de Mariana Jaspe. Inaugurando a Mostra Competitiva de Longas Nacionais, a aguardada ficção calcada em fatos reais ‘Angela’, de Hugo Prata (110min, SP), que aborda a vida e morte da socialite Angel Diniz, assassinada pelo companheiro Doca Street, um crime que frequentou por anos as manchetes de jornais no Brasil. No papel de Angela, a atriz Isis Valverde.

Roberto Farias Memorias de um Cineasta – Direção: Marise Farias

Além de ‘Angela’, estão mais cinco longas que dão um panorama da diversidade da produção cinematográfica brasileira: há representantes do Rio de Janeiro (‘Mussum’, o Filmis’, de Silvio Guindane; de São Paulo; ‘Tia Virgínia’, de Fábio Meira, além do citado Angela; do Ceará, ‘Mais pesado é o céu’, de Petrus Cariry; do Paraná, ‘Uma família feliz’, de José Eduardo Belmonte; e do Tocantins, ‘O barulho da noite’, de Eva Pereira. Na Mostra de Curtas-metragens nacionais essa abrangência é maior pela quantidade de filmes, representados pelos estados de Minas Gerais, Rondônia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Roraima, São Paulo, Rio Grande do Sul e Maranhão.

 A Mostra Longas Gaúchos traz cinco representantes do estado que abriga o festival há 51 anos: ‘Um certo cinema gaúcho de Porto Alegre’, de Boca Migotto, explora a trajetória de três gerações de cineastas da capital gaúcha; ‘Céu aberto’, de Elisa Pessoa, que acompanha a vida de Adrielle da infância aos 17 anos na cidade de Dom Pedrito; ‘O acidente’, de Bruno Carboni, um ficção que trata do envolvimento de uma ciclista com seu atropelador; ‘Hamlet’, de Zeca Brito, sobre o jovem que dá título ao filme e seus conflitos em meio às convulsões políticas do Brasil de 2016; e ‘ Sobrevivente do Pampa’, documentário de Rogério Rodrigues que dá vozes às populações originárias silenciadas há séculos num manifesto em defesa da preservação de um bioma devastado.

MUSSUM, O FILMIS – Direção: Silvio Guindane

São filmes de todo o país que dão conta da diversidade temática e estética do cinema brsileiro, abrindo uma importante e necessária janela para a produção cinematográfica desses diferentes Brasis. É plausível, claro, a existência de mostras dedicadas ao cinema gaúcho, um estado que tem uma tradição de um cinema vigoroso. Os festivais de cinema, como o de Gramado, criam uma possibilidade do nosso cinema chegar às telas num contexto de estreitamento histórico do gargalo da distribuição e exibição, principalmente com a presença dos blockbusters apagando as telas para o cinema brasileiro. O Festival de Cinema de Gramado se torna um banquete de cinema irresistível.

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