Célia Chaves

Jornalista, graduanda de Psicologia, no Uniesp.


Rejeição: ferida que dói e sangra

O sentimento de rejeição se faz presente em vários momentos da vida, de forma real ou meramente imaginária, aflorando dores, revoltas e mudanças comportamentais. Seja na finitude de um enlace afetivo, quando apenas um deseja continuar a relação; na escolha de quem será promovido para determinada função; durante simples competição escolar ou mesmo nos chamados grupos sociais, constituídos por amigos, familiares, colegas de trabalho, entre outros.

São inúmeras situações, capazes de provocar estragos e sofrimentos emocionais difíceis de serem superados. Sentir-se rejeitado ou excluído socialmente costuma ser doloroso, por mais que se busque dissimular, na vã tentativa de negar algum episódio considerado insuportável, constrangedor ou desconfortável.

Às vezes, segundo o criador da psicanálise, Sigmund Freud, ativa-se esse mecanismo de defesa, chamado “negação”, porque existe a percepção de que a dor do enfrentamento seria mais dilacerante. Envolto a tantas crenças limitantes e barreiras emocionais, o ser humano não encontra outra alternativa, senão refugiar-se na recusa à aceitação da realidade.

A profundidade dessa ferida emocional despertou o interesse da neurociência, um campo científico que estuda o sistema nervoso e suas relações com o comportamento humano. Pesquisas mostram que sofrimentos psíquicos, ante situações de rejeição, são decodificados pela mesma região neural responsável pelo processamento de dores físicas, a exemplo de lesões provocadas por uma queimadura.

Cada pessoa sente e descreve a dimensão do seu sofrimento de maneira peculiar. Quem nunca ouviu ou pronunciou expressões do tipo “coração partido” ou “um nó na garganta”, ao mencionar sensações e sobreposições de dores tão diferentes (física e emocional) e próximas ao mesmo tempo. Enfim, a rejeição provoca feridas latejantes, que não podem ser simplesmente ignoradas ou negligenciadas.

Trata-se de algo que afeta o ser humano e seus laços sociais, ocasionando prejuízos emocionais, cognitivos, comportamentais e à saúde de modo geral. Pode ser gatilho para o surgimento de depressão, pânico, ansiedade, estresse e, principalmente, baixa autoestima. Uma sucessão de respostas emocionalmente negativas, que, após instaladas, impõem percepções e limitações difíceis de serem ressignificadas.

Sentir-se preterido também pode gerar a sensação de que o investimento afetivo não valeu a pena. São muitas dúvidas em meio a tristezas, frustrações e poucas certezas. A busca pelo autoconhecimento constitui elemento importante, a fim de descobrir como a experiência da rejeição age e interfere no dia a dia. Só assim o ser humano inicia o processo de elaboração das perdas, promovendo reflexões e reavaliações acerca do que aconteceu.

Nesses casos, também são fundamentais demonstrações de carinho e apoio de amigos e familiares, além de assistência psicoterápica. Quando a vida prega peças e acena com aquele sorriso amarelo, um abraço amoroso ou palavra de afeto são verdadeiros bálsamos, para prosseguirmos na caminhada nossa de cada dia, com muito mais calma, positividade e vigor.

1 comentário

  • Elma
    12:55

    Amei, sucinto e claro. TD haver com o momento atual com tantas possibilidades e escolhas momentâneas que mal nos damos conta de quando e o que foi ou fomos deixado para trás.

    Parabéns!!!

Comentários

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