Reinspeção mostra que problemas continuam na Frei Damião

O Ministério Público da Paraíba realizou uma reinspeção na manhã desta quinta-feira (17) a Maternidade Frei Damião, localizada no bairro Cruz das Armas, em João Pessoa. Dentre os problemas que foram encontrados na unidade estão a falta de médico ultrassonografista em plantão permanente, falta de equipamentos, carência de medicamentos e problemas estruturais.
   
Segundo o promotor de Justiça de Defesa da Saúde, João Geraldo Barbosa, da primeira inspeção realizada no dia 19 de agosto do ano passado na unidade até agora, a situação, praticamente, é a mesma. “Constatamos que houve uma melhora na estrutura física do setor de assistência social”, disse.
   
No entanto, os problemas detectados pelos profissionais dos Conselhos Regionais de Medicina, Farmácia e Engenharia e Arquitetura chamaram mais atenção. “O CRM verificou que o sistema de plantão do ultrassonografista funciona em regime de sobreaviso, o que causa demanda reprimida pelo exame de ultrassonografia, mesmo que ele seja de urgência. Uma das pacientes que estava na sala de pré-parto precisava urgentemente do procedimento, já que o último exame havia apontado que o bebê estava com o cordão umbilical circundando a região cervical e que havia perda de líquido amniótico. Tanto o representante do CRM como o obstetra plantonista concluíram que há necessidade urgente da presença permanente de um médico ultrassonografista na maternidade”, disse o promotor de Justiça.
   
Também foram encontradas irregularidades nas duas salas de cirurgia da maternidade. Em uma delas não havia desfibrilador e na outra, o sistema de monitoramento da mesa cirúrgica estava quebrado, impossibilitando a mudança de posições do equipamento. Em uma das salas de parto, a mesa obstétrica estava com ferrugem. “Os profissionais informaram que a rede de aspiração do centro cirúrgico foi instalada, mas não está funcionando por falta de vacuômetros. O setor opera apenas com aspiradores elétricos. Também há falta de equipamentos na unidade semi-intensiva da maternidade”, acrescentou João Geraldo.

Higienização comprometida – Apesar da recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), faltam dispensadores de álcool gel nos corredores, nas enfermarias e nas unidades de terapia intensiva (UTI) neonatal e materna da Frei Damião. “Só encontramos álcool gel em frascos em cima das encubadoras da UTI neonatal”, ressalvou o promotor de Justiça.
   
Os médicos infectologistas da unidade disseram que a direção já enviou dois memorandos à Secretaria Estadual de Saúde, solicitando os dispensadores para a UTI neonatal e para os demais setores, desde 2010 e que, até agora, não haviam obtido resposta.
   
A direção do hospital informou que a unidade dispõe de seis leitos de UTI materna e oito leitos de UTI neonatal. Mais quatro leitos reserva para UTI neonatal estavam no almoxarifado para casos de substituição.
   
Apesar de dispor de oito leitos, a maternidade só tem capacidade para atender cinco. “Na inspeção de hoje, os oito leitos da UTI neonatal estavam ocupados e os pediatras nos informaram que, na realidade, só há capacidade para prestar atendimento para cinco leitos, o que mostra que as crianças sofrem em razão da carência de atendimento. Um exemplo disso é a existência de várias bombas de infusão paradas por falta de equipo. Eventualmente também faltam toalhas de papel na UTI neonatal para a higienização das mãos”, informou João Geraldo.
   
Outros problemas identificados pela equipe é muitos equipamentos da UTI materna são retirados para dar suporte à UTI neonatal e que os pacientes internos não tinham travesseiros (a não ser que trouxessem de suas próprias casas).

Farmácia – O Conselho Regional de Farmácia detectou que o equipamento de ar condicionado da farmácia do hospital estava quebrado e que os medicamentos estão sendo acondicionados em locais impróprios e sem higiene (como cadeiras e banheiro) e em temperatura que compromete a eficácia dos produtos. “Encontramos kits de partos e fios cirúrgicos acondicionados no banheiro da farmácia junto com copos descartáveis, bolsas dos funcionários, colchões e outros objetos estranhos à farmácia”, explicou o promotor de Justiça.
   
A coordenadora da pediatria do hospital também informou que, geralmente, falta o medicamento “Matergam” (usado para evitar complicações advindas do fator RH nas futuras gestações).

Infraestrutura
– O Corpo de Bombeiros constatou que a rede de hidrantes da Maternidade Frei Damião não funciona, devido a um vazamento no hospital. Também foi detectada a ausência de saída de emergência, de alarme de incêndio, de sistema de iluminação e de pararraios no hospital.
   
O Crea/PB verificou que alguns ambientes têm ventilação e iluminação precárias, a falta de acessibilidade e que o teto de gesso da sala de recepção e da UTI neonatal possuem goteiras e precisam de reparos.

Equipe – Participaram da inspeção representantes dos Conselhos Regionais de Medicina, Farmácia, Odontologia, Serviço Social, Psicologia, Enfermagem, Nutrição, Engenharia e Arquitetura e Corpo de Bombeiros.

Comentários

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.