Emilson Garcia

Graduação em Jornalismo (UEPB) com extensão em Jornalismo (PUC-Peru) Especialista em Gestão Pública/IFPB. Mestre em Ciência da Informação-UFPB. Coordenador do curso de Comunicação Social da Uninassau João Pessoa e Professor universitário.


Quem será o Biden brasileiro?

Durante 05 dias, milhões de brasileiros acompanharam com atenção o processo (lento) de apuração eleitoral nos Estados Unidos. Seja pela curiosidade na gritante diferença entre os sistemas brasileiro e americano ou por uma espécie de flaflu antecipado, o que importa é que todos puderem conhecer melhor os predicados do presidente eleito, Joe Biden.

Em um país ideologicamente dividido e impactado por sua maior crise sanitária e econômica, o que estava em jogo era além do próprio redesenho democrático, mas a própria “alma da nação” , pra citar o lema da campanha democrata.

Biden nunca despertou paixões durante dia jornada de mais de 40 anos da vida pública, mas ao mesmo tempo sempre foi um político que construiu pontes e agiu de forma moderada. Sua conexão com a classe média, resiliência pessoal devido a grandes perdas e a fama de sujeito decente o catapultaram à Presidência em um momento em que o país almejava maior equilíbrio no salão oval.

Atrelado a tal contexto e a partir das recentes pesquisas que evidenciam uma provável polarização em 2022, muitos dos postulantes brasileiros à presidência buscam esse “caminho do meio”, ou autointitulado “centro democrático”. A busca por semelhanças com Biden vão desde o plano de governo às chamadas coalizões propositivas que somam diferentes matizes num mesmo campo de batalha.

Mas, afinal, quem será o Biden brasileiro? Abaixo uma análise acerca dos postulantes atuais:

Ciro Gomes- PDT
Prós:
Candidato mais competitivo devido ao histórico de disputas (1998, 2002 e 2018) e com um eleitorado cativo que chega a mais de 10%. Experiente e sem máculas judiciais, é um orador voraz, diferencial em debates televisivos.

Desafios:
A imagem de pavil curto é bastante forte em parcela do eleitorado. Além disso, é mal visto em setores do mercado por suas propostas econômicas keynesianas.

João Dória- PSDB
Prós :
Governador do maior estado do país, tem bom trânsito entre empresários e entidades industriais. Conseguiu nacionalizar seu nome associando-se ao início do processo de vacinação no país.

Desafios:
Sofre resistências no PSDB que fará uma disputa interna. Além disso, nos últimos meses, partidos de direita como o DEM já o descartou de uma provável aliança. É desconhecido no Norte e Nordeste.

Eduardo Leite-PSDB
Prós:
Governado do Rio Grande do Sul, conseguiu bons resultados com reformas de Estado. É visto como um jovem conciliador e sem extremismos.

Desafios:
Seu trabalho como Gestor não tem ressonância além da região Sul. Ademais, precisará afinar o discurso liberal às profundas demandas sociais num país continental.

Luiz Henrique Mandetta- DEM
Prós: Sua condução no Ministério da Saúde no combate à pandemia de covid-19 foi muito bem avaliado pelos brasileiros. Tem desenvoltura e boa articulação para confrontos públicos.

Desafios: Precisa ampliar o debate em outras searas como economia e inclusão social. É visto como centralizador.

Tasso Jereissati- PSDB
Prós: Empresário bem sucedido e Senador experiente, tem grande aceitação entre os partidos de direita, o que poderá engendrar uma coligação competitiva.

Desafios:
É necessário massificar o nome na região centro sul do país. Por ser um político tradicional, sofrerá rejeição dos extratos sociais mais dispostos a apostar numa candidatura que rompa com o sistema.

Alea jacta est, Brasil!

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