PT e PMDB firmam pacto de convivência a ser seguido após eleições de 2012

O PT e o PMDB firmaram ontem, em um almoço informal dos líderes das duas bancadas na Câmara — Paulo Teixeira (RS) e Henrique Eduardo Alves (RN), respectivamente — um pacto de convivência a ser seguido pelas duas legendas após as eleições municipais de 2012. Pelo acordo, as disputas para as prefeituras no ano que vem não deverão estremecer o relacionamento entre os dois partidos no Congresso, o que atrapalharia a governabilidade no plano federal, nem provocaria um distanciamento na parceria para 2014. “Os dois partidos têm um candidato comum, que é a presidente Dilma, e estão juntos desde já no mesmo projeto. Não há por que nos contaminar por conta das disputas do ano que vem”, disse Henrique Eduardo Alves ao Correio.

Disputas que prometem ser intensas. O PMDB tem confirmado candidatos em 22 capitais. O PT, em 20. Se analisadas os maiores colégios eleitorais do país, a primazia troca de mãos, com 10 candidatos petistas e oito peemedebistas. O PMDB é o maior partido do país, com 1.203 prefeitos, e pretende manter-se na dianteira para mostrar a Dilma que deve permanecer no condomínio presidencial em 2014. Já o PT elegeu 558 prefeitos e, após fiascos anteriores quando estabelecia metas de vitória que sempre ficavam abaixo dos resultados obtidos nas urnas, desistiu de fazer prognósticos. Informalmente, pretende chegar, no mínimo, a 700 administrações municipais.

Na conversa, ficou definido que a parceria entre os dois partidos será tentada em todas as disputas em que isso for possível. No Rio de Janeiro, por exemplo, o PT já anunciou que vai apoiar a reeleição de Eduardo Paes (PMDB). Onde isso não for possível, os dois partidos tentarão, ao máximo, manter os níveis de civilidade para que as disputas não respinguem no plano federal. “Apesar de algumas desavenças, a convivência ao longo deste ano foi bastante proveitosa”, disse Henrique Alves.

Uma das cidades que não deve ter acordo é São Paulo. Os petistas ainda esperam que o deputado Gabriel Chalita (PMDB) desista da candidatura para apoiar o atual ministro da Educação, Fernando Haddad. O vice-presidente da República, Michel Temer, já avisou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que os dois partidos poderão estar juntos em um eventual segundo turno.

Mas que, para o PMDB, é fundamental que Chalita mantenha-se no páreo para o fortalecimento do partido no estado. O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), não esconde que os planos petistas não estão sepultados. “Tanto eu quanto o Henrique fomos muito cerimoniosos sobre São Paulo. Não entramos muito nesse debate mas sabemos que uma união está muito difícil nesse momento”, disse Paulo Teixeira.

Pauta de votação – Os dois líderes também analisaram quais serão os principais assuntos a serem votados na Câmara no ano que vem. Na pauta imaginada por petistas e peemedebistas, as matérias mais relevantes serão o Código Florestal e a divisão dos royalties do pré-sal. “Nós achamos que o projeto dos royalties deve ser votado, no máximo, até abril para que a votação não seja atrapalhada pelo clima eleitoral do segundo semestre”, disse Paulo Teixeira. Em relação ao Código Florestal, os dois líderes não vislumbram dificuldades para a votação do projeto que veio do Senado. “Os senadores equalizaram bem as divergências de ambientalistas e ruralistas”, completou o líder petista.

Paulo Teixeira — que deixará a liderança do partido em fevereiro para dar lugar a Jilmar Tatto (SP) ou José Guimarães (CE) — também assegurou a Henrique Alves que o PT não vai romper o acordo de apoiar o peemedebista para presidente da Câmara em 2013. E disse não acreditar que a bancada do PT no Senado tente tirar o PMDB do comando da Casa sob a alegação de alternância das legendas no comando das casas parlamentares. “No Senado, existe uma prática regimental de assegurar à maior bancada o direito de indicar o presidente”, ponderou Teixeira.

Divergência – A primeira votação do Código Florestal na Câmara foi a mais importante divergência do PMDB com o PT e o Palácio do Planalto no primeiro ano de governo. Com uma influente bancada ruralista, o partido apresentou uma emenda defendendo anistia para desmatadores e maior autonomia para os estados e municípios na definição das políticas ambientais, provocando a ira do então chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci. Lideranças peemedebistas defenderam a emenda, alegando que o partido “não poderia dar as costas para um eleitorado cativo do partido”.

Correio Braziliense

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