Programa de TV é tirado do ar por veto governamental a convidados

O programa Conexão Master, exibido todas as segundas-feiras, às 22 horas, na TV Master, não foi ao ar ontem à noite. O motivo da interrupção virou um dos temas mais comentados no microblog Twitter desde a madrugada. Em seu blog no Paraíba1, o jornalista Luís Tôrres, apresentador da atração, explicou o problema como fruto de censura:

"Ontem a vida me impôs um desafio moral. Vetar nomes que eu próprio tinha convidado para participar do Conexão Master minutos antes do programa entrar no ar. Era um filhote do governo Maranhão III. Impondo o silêncio no contraditório para assegurar uma perfeição administrativa".

Segundo o Parlamentopb apurou, um telefonema dado por um integrante do alto escalão do Governo do Estado ao empresário Alex Filho teria proibido a presença de Fabiano e Ricardo nos programas da emissora. O veto telefônico aconteceu por volta das 21h40, quando o Conexão Master que entrevistaria o deputado federal Manoel Júnior (PMDB) já estava prestes a começar. O apresentador, então, sugeriu que o programa não fosse ao ar e que depois se discutisse melhor o assunto em uma reunião da emissora.

No site Politicapb, o radialista Fabiano Gomes atribuiu o veto à sua participação no programa à secretária de Comunicação, Lena Guimarães. Há meses, o comunicador também creditou a ela sua demissão do Sistema Arapuan, onde apresentava um programa de rádio e outro de televisão.

"O motivo alegado para a não participação dos convidados seria a ameaça, pela secretária, de cortar os contratos do Governo do Estado com a TV Master", diz o Politicapb.

Outro a comentar o assunto foi o blogueiro Tião Lucena:

"De uns tempos para cá apareceu a figura do trem pagador, do todo poderoso, do que dita normas, inventa regras, manda e desmanda no pensamento do jornalista, diz o que sai e o que entra, veta até mesmo presenças em determinados ambientes. Pago, logo posso, diz o poderoso de plantão, enquanto o formador de opinião enfia a viola no saco e cala a revolta num silêncio cumplice e covarde.

O mais triste é constatar que essas figuras poderosas nasceram no meio da imprensa, foram crias das redações, bateram nas teclas hoje em desuso da máquina moribunda, ralaram, reclamaram, protestaram contra as injustiças e pregaram a democracia plena, aberta, sem fronteiras. Bastou, porém, receberem a patente de comandante de alguma coisa para tirarem a máscara e mostrarem a verdadeira face, a face tirana, ditatorial, corrompida e corrupta, que não se constrange em comprar a mercadoria da palavra falada e escrita com a mesma facilidade com que se compra uma penca de bananas no meio da feira.

Até quando isso vai durar? Bem, acredito que até enquanto houver mundo. Só não sei se terei estômago para continuar convivendo nesse meio. Dá vontade, sinceramente, de largar tudo, recolher os troços e voltar pru meu sertão. Lá, plantando batas na beira do açude e escutando o galo de campina trinar nas alvoradas, estarei longe desse moído. A alienação, as vezes, é um santo remédio".

TAGS

Comentários

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.