Presidente do Inep é demitido a um dia do fim do prazo para inscrições do Enem

O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep), Elmer Vicenzi, foi demitido nesta tarde. Ele estava no órgão desde 29 de abril. O órgão é responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Segundo o Estado apurou, Vicenzi estava em meio a uma disputa com integrantes da procuradoria, a área jurídica do órgão, e acabou demitido.

O ex-presidente defendia a divulgação dos dados produzidos pelo Inep, como avaliações e indicadores educacionais. A procuradoria é a favor de uma política de sigilo dos dados, que envolvem informações de alunos e escolas.

Os advogados do Inep ameaçaram pedir demissão caso houvesse uma política de divulgação dos dados. Atualmente, as informações não são passadas ao público individualmente, apenas por escola, município ou Estado. Os nomes dos estudantes são protegidos. O Inep faz, por exemplo, censos educacionais, que recolhem dados de todos os estudantes.

Vicenzi é ex-delegado da Polícia Federal e assumiu após a demissão de Marcus Vinicius Rodrigues, que caiu porque resolveu acabar com a avaliação de alfabetização.

Oficialmente, o MEC informou que Vicenzi teria pedido demissão. Mas, segundo o Estado apurou, o ministro Abraham Weintraub defenderia a mesma posição de Vicenzi sobre os dados. Não conseguiu, no entanto, mantê-lo diante da pressão.

Havia divergências também em relação ao Enem, cujas inscrições acabam amanhã e já passaram de 5 milhões.

Vicenzi é a primeira baixa do MEC na gestão de Abraham Weintraub. A pasta ficou marcada pelas dezenas de demissões quando Ricardo Vélez Rodríguez era o ministro.

O ex-presidente elogiava da forma como o Enem é atualmente e inutilizou o relatório de uma comissão que foi formada na gestão anterior para analisar a “adequação” das questões. A ideia, considerada uma espécie de censura ao exame, era a de que o grupo identificasse questões que tivessem “teor ofensivo”. Ele chegou a declarar que os ítens (como são chamadas as perguntas da prova) são bens públicos e não poderiam ser jogados fora.

 

 

Estadão

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