Presidente da Aspol critica visita de Maranhão a soldado ferido no Cabo Branco

A visita feita pelo governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB) ao soldado Carneiro – baleado durante o confronto com os bandidos que fizeram reféns os familiares do empresário Herbert Maia na noite de terça-feira, 31, em um apartamento da praia do Cabo Branco – gerou um desabafo do presidente da Associação dos Policiais Civis da Paraíba. O gesto, que poderia ser entendido como de solidariedade ao policial, foi tomado por Flávio como uma manobra de marketing. Segundo Flávio, solidariedade seria oferecer uma remuneração mais alta e dar condições adequadas de trabalho à categoria.

O soldado de 23 anos corre o risco de ficar paraplégico depois que foi atingido com três disparos quando a polícia trocou tiros com os dois sequestradores cariocas que mantiveram reféns a esposa, duas filhas, a nora e a empregada da residência do empresário da construção civil, Herbert Maia, proprietário da Construtora Hema. O sequestro da família Maia durou cerca de 7 horas.

Confira a íntegra do texto de Flávio Moreira, recebida no e-mail do Parlamentopb:e

Quanto vale uma vida?

Ao sabermos da notícia do ferimento do soldado Carneiro durante o sequestro ocorrido na tarde de ontem no nobre Bairro do Cabo Branco, na Capital pessoense, o primeiro sentimento que nos toma é a DOR. Apesar de não o conhecer pessoalmente, sinto como se o ferimento fosse em mim mesmo, porque amanhã poderá sim ser qualquer um de nós!
 
Dói saber que um policial, agente público, como nós, foi atingido por um elemento que se ao menos tivesse qualquer lesão  por resistir durante a sua prisão, estaria sob a égide dos "direitos humanos". Dói saber que essa é a Paraíba que a fantasia midiática do Governo (ou seria DESgoverno como chamam alguns colegas?) diz estar com tudo em ordem e que "nunca se fez tanto em tão pouco tempo"!

É verdade caros amigos: nunca se fez tanto MAL em tão pouco tempo, porque quando se mostra na mídia algo totalmente diferente da realidade, aceita-se a situação como ideal! Um policial atingido não é só um servidor ferido no desempenho de sua função, é mais do que isso. Significa a falência do sistema de segurança pública e de todo o aparelho repressivo estatal, principalmente na situação que ocorreu. O grande problema é que só se sabe o quanto é importante o investimento no policial quando há uma ocorrência deste tipo. Pior ainda é ter que engolir um governador que colocou os tanques nas ruas contra a Polícia Militar em 1998, visitar o soldado no Hospital para prestar solidariedade. Ora tenha Santa paciência!
 
Solidariedade Senhor Governador é remunerar bem estes profissionais que só são lembrados quando se precisa deles. É reconhecer os valores das corporações com benefícios que possam levar tranquilidade aos lares destes guerreiros. Solidariedade seria conceder um aumento digno, dar condições de trabalho, fazer escolas para os filhos dos Policiais, proporcionar acompanhamento psicológico permanente, assistência médica para estes e seus dependentes, dar moradia, enfim fazer com que aqueles que arriscam suas próprias vidas em defesa das vidas alheias sejam ao menos reconhecidos em vida.
 
Porque de nada adiantará ir no velório, tirar foto, condecorar e promover post mortem, quando logo depois a fria e calculista PBPrev vai negar à viúva uma pensão digna ou tentar reduzir ao máximo o custo com a família daquele que morreu em serviço, como hoje mesmo fizeram com a viúva de nosso companheiro policial civil Absalão de Medeiros Júnior, falecido num acidente automobilístico em uma viatura de pneus carecas.
 
Nós não esquecemos Senhor Governador. Nós temos memória e famílias e amigos e parentes e muitos outros "e" que só valem em época de eleição e como auto promoção. Falo aqui do Governador, mas estendo a muitos que passaram e talvez aos que hão de passar (tomara que esteja errado). Nossos filhos chorarão, nossas famílias terão saudade e enquanto isso Vossas Excelências continuarão do alto de suas posições sem lembrar dos muitos "soldados" mortos em combate e que deram a própria vida para defender a do cidadão.
 
Paro por aqui, pois confesso que lágrimas começam a brotar ao lembrar de que o policial está em estado grave e assim como ele, todo o sistema de segurança pública. Paro por aqui e remeterei a Deus nossas preces para que este companheiro de apenas 23 anos se recupere e que sua família seja poupada de tamanha dor. Paro por hoje, porque me dói questionar e mais ainda obter a resposta: Quanto vale a nossa vida para Vossas Excelências? Mas não ficaremos parados: lutaremos juntos para mudar esta situação, porque não dá mais para ficar como está.

Flávio Moreira, por amor e com muito orgulho!

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