Presidência admite erro em carona no avião de Dilma

Brasília – A Presidência da República admitiu nesta quinta-feira, 7, que falhou ao permitir a carona clandestina da professora de educação física Amanda Patriarca no avião presidencial que levou Dilma Rousseff para passear em Natal (RN) no carnaval.

"Houve um equívoco no processo de autorização de viagem da passageira em questão, que não fazia parte da comitiva da presidenta da República", afirmou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), em nota divulgada a pedido da própria presidente Dilma.

O Estado revelou que Amanda Patriarca foi infiltrada, na última hora, nos voos de ida e volta para Natal pelo comandante do avião presidencial, coronel Geraldo Corrêa de Lyra Júnior, sem a ciência da presidente. A presença da professora no avião abriu uma crise no GSI, órgão responsável pela segurança de Dilma. A professora confirmou ao Estado que embarcou com autorização do comandante. Ontem, ele negou ter autonomia para conceder tal autorização e disse que a definição da lista de passageiros é prerrogativa da Presidência da República.

Segurança – Sem a comprovação documental de que alguma autoridade avalizou o embarque da passageira, o Palácio do Planalto decidiu divulgar uma nota em que admite o erro e afirma que, apesar disso, a segurança da presidente não foi afetada. "Todos os passageiros do voo em questão foram previamente identificados e submetidos aos procedimentos usuais de segurança", diz a nota.

A preocupação do governo foi demonstrar que a proteção da presidente não tem falhas. Internamente, a atitude do coronel Lyra Júnior foi considerada um abuso e uma ousadia ao rigor militar e à segurança da presidente.

A revelação do caso pelo jornal fez o Palácio do Planalto mudar de postura de um dia para o outro. A nota do GSI contrariou comunicado da assessoria de imprensa do Palácio do Planalto enviada ao Estado na quarta-feira. O Planalto informara que não poderia comentar a presença clandestina de Amanda no avião porque listas de passageiros de voos presidenciais "não são passíveis de divulgação, total ou parcial". Nesta quinta, antes da divulgação da nota, o Planalto tentou montar versão às pressas para minimizar a quebra de segurança.

Responsável – De acordo com assessores da Presidência, a ordem autorizando a viagem de Amanda teria sido "dada de boca", contra a tradição do GSI, pelo chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo.

Pelas regras habituais, o coronel Geraldo Lyra deveria ter feito pedido por escrito, uma espécie de memorando, ao gabinete da Presidência para que fosse avaliada a autorização oficial da presença de Amanda no voo presidencial – nesse tipo de viagem, apenas Dilma tem a prerrogativa de convidar passageiros.

Como isso não ocorreu, a alternativa foi usar a palavra "equívoco" para justificar o ocorrido. A professora é irmã de Angélica Patriarca, uma das nove comissárias de bordo do avião presidencial selecionadas recentemente pela Força Aérea Brasileira.

Ao Estado, na quarta-feira, Amanda contou que o coronel Geraldo de Lyra é "amigo" de sua família. Ela disse ter sido avisada, um dia antes do embarque, de que poderia pegar carona no avião da Presidência da República. Todos ficaram em Natal a passeio entre 4 e 8 de março.

China – O coronel Geraldo Correa de Lyra Júnior foi autorizado, segundo o Diário Oficial da União da última segunda-feira, a comandar a tripulação que levará a presidente Dilma Rousseff para uma viagem de dez dias à China, a partir desta sexta. Ele vai dirigir sete militares durante o trajeto de ida e volta. Nesta quinta, o Estado indagou o Palácio do Planalto se a presença dele estava confirmada após a revelação do episódio da "carona". Oficialmente, nenhuma resposta foi dada à reportagem.

Estadão

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