Pastor Estevam

Pastor da Primeira Igreja Batista de João Pessoa. Pscicólogo clínico, escritor, conferencista motivacional. Casado com Dra Aurelineide, e pai de Thayse e André.


Porque somos humanos

Às vezes temos a impressão que o nosso barco vai naufragar. Parece que tudo ao redor conspira contra a nossa vida. Vivemos um pesadelo. Os ventos contrários sopram de forma furiosa e brutal. Ficamos com medo, pois a impressão primeira, e não poderia ser outra, é de que o mundo se voltou contra nós, em forma de uma grande tempestade. A realidade que nos circunda muitas vezes se nos apresenta cheia de surpresas indesejadas.

Quando o medo se instala dentro de nós, o pânico tende a nos arruinar. Nos imaginamos perdidos e sem esperança alguma. Não somente perdidos, abandonados também. Parece que todos fogem de nós. Até a família fica menor. Sentimos falta de alguns. Há pessoas que sempre desaparecem quando mais precisamos delas. A ausência de alguns e o silêncio de outros nos fazem sofrer ainda mais.

Todos nós já nos deparamos com situações diante das quais nos sentimos totalmente impotentes. Nada poderíamos fazer. Nenhum gesto nosso faria qualquer diferença. Todas as nossas “pretensas” experiências não nos seriam suficientes diante de tamanho vendaval. É exatamente na solidão de um barco quase à deriva, na sensação de que não há como sobreviver às tormentas, quando a dor for mais intensa, que percebemos o quanto somos vulneráveis e frágeis para enfrentarmos sozinhos os temporais da vida.

A dor não conhece limites. De alguma forma, ela é um espelho que reflete nossas limitações. A dor nos causa desconforto, insegurança e angústia. É na alma que a dor nos maltrata mais. Quanto mais profunda ela for, tanto mais nossa humanidade é exposta, com suas carências e fragilidades.

Em algumas situações, olhamo-nos no espelho e dizemos para nós mesmos: vou vencer, vou conseguir! E no outro dia temos medo de ir à luta; ficamos prostrados e fugimos outra vez. Tudo isso, porque somos humanos. É exatamente assim como somos, que precisamos continuar na estrada da vida, superando obstáculos, perseguindo ideais, alimentando sonhos, redesenhando a vida, caminhando entre os sonhos e as frustrações.

Contudo, existe um tipo de dor que somente Deus ameniza. Ele é o único bálsamo capaz de nos trazer alívio em plena tempestade. Deus conhece a nossa alma; sabe dos nossos limites. Só Ele pode invadir os segredos do nosso ser, e transformar o desespero em esperança, o pânico em refrigério.

Diante de algumas tempestades da vida, pela sua natureza por serem ameaçadoras da paz interior, não devemos enfrentá-las sozinhos, sem a ajuda de Deus. A dor da separação, o medo do amanhã, a sensação do abandono, o fim de um sonho, a descoberta de uma enfermidade grave, dentre outras. São experiências dolorosas que jamais poderemos encará-las e vencê-las sozinhos. São ventos furiosos que ameaçam a nossa paz.

As tempestades não duram para sempre. Os ventos contrários, por mais violentos que sejam serão transformados em suaves brisas. É só saber esperar, persistir e lutar contra as águas revoltas, confiando no único timoneiro capaz de repreender os ventos, acalmar os mares e nos conduzir a um porto seguro – Deus. Ele é maior que todas as forças que se levantam contra nós. Por isso, com Ele no barco, não há o que temer.

Se nossa humanidade é o nosso limite, certamente não é o nosso fim. É exatamente porque somos humanos, que Deus nos ama tanto. Esta nossa condição é, pois, nossa maior riqueza. O limite do homem é a oportunidade de Deus. Ele nos entende e nos alcança na nossa finitude.

Porque somos humanos

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