PMDB desiste de pedir ministério para Vital Filho

Enquanto a presidente Dilma Rousseff tenta aplacar o apetite de aliados por cargos na reforma ministerial, o PMDB apresentou uma demanda de última hora: agora, o partido quer a Secretaria de Portos. Antes, a busca era pelo ministério da Integração Nacional, cargo para o qual fora indicado o senador paraibano Vital Filho.
 
A petista abriu as negociações sobre as trocas no primeiro escalão na segunda-feira, de olho em ampliar seu tempo de rádio e televisão na disputa presidencial deste ano. Ou seja: terá de usar as mudanças para contemplar o maior número de partidos.
 
A estratégia acabou desagradando o PMDB. A legenda foi informada de que a presidente resistia a ampliar o espaço do partido, hoje com cinco vagas na Esplanada. Ontem, Dilma se reuniu novamente com seu vice, Michel Temer, e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
 
Inicialmente, o PMDB almejava o comando do Ministério da Integração Nacional, hoje com o Pros. Com a resistência de Dilma, a legenda passou a pleitear a Secretaria de Portos, até agora vista como uma espécie de "primo pobre" da Esplanada.
 
O PSD também tem interesse pela vaga, hoje ocupada pelo técnico Antônio Henrique. Trocar Portos por algum dos cinco ministérios do PMDB, como Turismo, foi uma das alternativas propostas ao Palácio do Planalto durante a reunião de ontem.
 
Segundo peemedebistas, na nova conversa, a presidente baixou o tom sobre as dificuldades para contemplar as demandas do partido, o que foi interpretado como um sinal de que o clima melhorou.
 
"Ainda não há definição", disse o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). "O PMDB não está colocando a faca no pescoço da presidente para exigir mais ministérios", completou.
 
O senador disse ainda que, se fizer as contas, pelo tamanho e peso, o PMDB mereceria mais espaço na Esplanada. Questionado se não há incoerência pelo partido já ter defendido a redução de ministérios, Raupp afirmou que, como não houve mudança, é natural o PMDB lutar por seu fortalecimento.
 
Além do PMDB, Dilma já falou sobre a reforma com o PT e o PSD. Ela ouvirá também o ex-presidente Lula para desatar os nós da reforma. Há a possibilidade de que o encontro ocorra na segunda-feira, em Brasília.
 
A palavra final sobre o desenho da reforma deve ser dada só depois do dia 29, quando Dilma voltar de compromissos internacionais. Até agora, o tema ainda traz mais pendências que definições. O ministro Aloizio Mercadante (Educação), sempre apontado por interlocutores como o futuro chefe da Casa Civil no lugar de Gleisi Hoffmann, ainda não foi formalmente convidado.
 
Dilma também não decidiu quem substituirá, na Saúde, o petista Alexandre Padilha, que sairá do governo para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Insatisfeita com os sinais do Planalto sobre a reforma, a cúpula peemedebista fez reunião na noite de ontem, no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice.
 
Os peemedebistas dedicaram boa parte do encontro a alianças regionais. Há quem defenda que, diante das dificuldades na reforma, a sigla adote mais independência nas chapas estaduais.
 
 


Folha Online

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