Paraibanos que foram ao Mato Grosso trabalhar na Sadia querem voltar

Um grupo formado por aproximadamente 91 paraibanos que se deslocou para trabalhar na cidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, quer retornar à capital paraibana. O relato foi feito hoje no programa Tribuna Livre, apresentado por Washington Luiz na rádio Sucesso FM. Uma moça identificada apenas como Amanda disse que as condições encontradas na cidade, para onde foram levados pela fábrica de alimentos Sadia, após uma seleção feita pelo Sine Municipal, são radicalmente diferentes do prometido. Segundo ela, há descontos salariais indevidos, discriminação aos paraibanos e muita violência.

"Estamos fisicamente bem. Queria tranquilizar nossas famílias, mas ganhamos pouco e gastamos muito. Moramos em uma vila construída pela Prefeitura. Disseram que não iam cobrar aluguel, mas cobram uma taxa de R$ 100 por casal e, se for solteiro, R$ 50, em albergues com quatro pessoas. Somos muito discriminados. As pessoas nos olham como se não fôssemos nada", disse Amanda.

Ela fez um apelo ao prefeito Ricardo Coutinho (PSB) para que ele ajude no retorno dos trabalhadores insatisfeitos: "O prefeito tem que fazer alguma coisa por nós. O prefeito de Recife veio aqui e soube das dificuldades e mandou pagarem o salário certo aos trabalhadores. Contamos com o apoio de Ricardo Coutinho. Quem tinha condições de voltar, já foi embora. Quem não tem, fica aqui sofrendo", disse ela.

Em Pernambuco também chegaram reclamações de trabalhadores que deixaram o Estado com o intuito de engrossar os quadros da Sadia. Eles disseram que não recebiam o pagamento correto das horas-extras, que a promessa de reajustar os salários após o período de experiência (90 dias) não se concretizou e que a companhia estaria descontando o vale-transporte, quando o acordo era que esse item seria bancado pela empresa.

À época da seleção para levar os paraibanos a Lucas do Rio Verde, a Sadia informou que oferecia diversos benefícios aos candidatos, como assistência médica, odontológica e funeral, previdência privada, alimentação e participação nos resultados da companhia. A empresa, porém, não divulgou os salários oferecidos para cada vaga, mas diziz que eram compatíveis com a média do mercado.

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