Para CNBB, palavrão foi gesto espontâneo do presidente Lula

O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Lyrio Rocha, minimizou nesta sexta-feira o "palavrão" dito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem durante discurso no Maranhão. Dom Geraldo disse que, apesar de não falar palavrão, não pode tornar "grave" um gesto "espontâneo" do presidente da República.

"Eu acho que isso [palavrão] pode ter sido um ato espontâneo. Não devemos minimizar coisas graves, nem tornar graves as coisas mais simples. Eu não falo palavrão, mas prefiro não julgar. Palavrão não cabe em contexto nenhum, mas não cabe a mim julgar. Só Deus é quem pode julgar", disse.

Durante discurso em cerimônia de assinatura de contratos do programa Minha Casa, Minha Vida, em São Luís (MA), o presidente disse que quer "tirar o povo da merda em que ele se encontra". Lula falou o palavrão após ressaltar que nenhum outro governo investiu tanto em saneamento básico.

A oposição criticou o gesto do petista. O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que o palavrão de Lula "choca menos pela grosseria do que pela sinceridade".

"O atual presidente disse, com outras palavras, que ele mesmo vai bem mas o povo vai mal. De fato, o povo vai mal. E não só em matéria de saneamento básico, que foi o contexto do palavrão presidencial. Na saúde, na educação, na segurança pública, nas estradas, nos portos, na energia elétrica, há uma distância chocante entre a dura realidade dos brasileiros e o triunfalismo dos discursos do presidente Lula", disse Guerra.

Segundo o tucano, depois de sete anos de governo, Lula não se sente responsável pelo fato do povo "estar onde ele disse que estão". "Grosseiras ou não, sinceras ou não, as palavras que brotam em enxurrada da boca do presidente encobrem cada vez menos sua omissão contumaz diante dos problemas do Brasil real", afirmou o senador.

Em defesa de Lula, o vice-presidente, José Alencar, disse hoje que o petista expressou sua a intensidade de sua vontade de ajudar a população carente.

"O que o presidente quis dizer é que ele está preocupado com as pessoas que estão em situação difícil ainda. E todos conhecem a sensibilidade do presidente em relação a isso. Então ele se utilizou de uma expressão forte. Porém, ele deseja dizer que nós queremos fazer tudo para tirar mais brasileiros da extrema dificuldade", afirmou o vice.

Folha Online

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