Palhaços protestam e dizem que corrupção não é palhaçada

Em meio ao escândalo do mensalão do DEM no Distrito Federal, palhaços reunidos nesta quinta-feira em seminário na Câmara dos Deputados protestaram contra a comparação do episódio a uma "palhaçada" dos políticos suspeitos de envolvimento no caso. Os palhaços dizem que as "palhaçadas" provocadas pela categoria rimam com alegria, não com atos de corrupção cometidos por políticos brasileiros.

"Corrupção não tem graça nenhuma. A própria palavra corrupção não rima com alegria. Tem que botar esses caras na cadeia. Ladrão não é palhaço, é ladrão e tem que estar preso. Ainda tem quem coloque um nariz de palhaço e vai protestar, isso me entristece porque nós somos uma profissão séria que tem que ser respeitada", disse o palhaço Plim-Plim.

Plim-Plim, que sem fantasia é José Carlos Santos, disse que as denúncias contra o governador do DF, José Roberto Arruda (DEM), não devem ser classificadas de "palhaçada", mas sim de "fuleragem". O palhaço afirmam que há "banalização" da categoria ao se comparar artistas com políticos corruptos.

"Eu me sinto até arrepiado quando me comparam com esses caras que não são palhaços. Não vamos comparar, isso não é palhaçada, é uma roubalheira, são corruptos e tem que estar na cadeia. Temos que acabar com esse duplo sentido", disse Plim-Plim.

Os palhaços estão reunidos no "1º Seminário dos Palhaços Brasileiros", na Câmara, para debater projetos de lei que regulamentam direitos da categoria e beneficiam a profissão. Os artistas defendem, em especial, o cumprimento da lei que permite acesso dos filhos dos profissionais circenses às escolas públicas. A categoria também reivindica a regulamentação da atividade de palhaço; e a criação de projeto de lei em defesa da aposentadoria desses trabalhadores.

Plim-Plim disse que sua filha, de 6 anos, sofre as consequências da vida no circo porque não consegue se matricular em escolas públicas, apesar disso estar previsto em lei. "Nunca consegui uma vaga na escola pública para ela estudar, e é lei. Está na lei que toda criança tem direito de estudar, mas os diretores mandam eu entrar na Justiça. Até chegar a data de audiência nós já mudamos de cidade. Enquanto eu tiver essa energia eu vou lutar pelos direitos dos filhos dos artistas, dos palhaços, de estudar onde estiverem", afirmou.

Folha Online

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