OMS eleva alerta da gripe suína para pandemia iminente

A OMS (Organização Mundial de Saúde) aumentou para grau 5 o alerta da gripe suína, em escala que vai de 1 a 6. Isso significa que, agora, é iminente a ocorrência de uma pandemia (epidemia de vasto alcance geográfico, talvez global). O secretário-geral adjunto da entidade, Keiji Fukuda, pediu que os países direcionem a capacidade laboratorial para testar pacientes com sintomas de gripe com rapidez. "O mais importante é que as pessoas sejam informadas." No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou a existência de dois casos suspeitos.

Segundo a OMS, cerca de 150 especialistas examinam atualmente o modo como a gripe é transmitida, seus sintomas e tratamento. "É hora de todos os países ativarem os planos de prevenção pandêmica", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. "Toda humanidade está sob ameaça em uma pandemia."

"Há, inclusive, a possibilidade que o vírus diminua e pare, o que seria o melhor para nós. Mas também pode ser que ocorra o contrário", disse Chan.

Há, ao todo, 148 casos confirmados de gripe suína no mundo, de acordo com a OMS. Há ainda sete mortes no México e uma nos Estados Unidos, a partir de dados informados pelos governos. Os casos de infecção reconhecidos pela OMS foram identificados em nove países de quatro continentes: Estados Unidos (91), México (26), Áustria (1), Canadá (13), Alemanha (3), Israel (2), Nova Zelândia (3), Espanha (4) e Reino Unido (5).

Em entrevista à mídia, Chan disse que a OMS ainda não sabe quão severa será a epidemia. Ela disse que a organização irá "monitorar a evolução e colher informações específicas para responder essa pergunta de uma maneira mais eficaz." Ela ressaltou, porém, que a influenza pode ser leve em países ricos e "altamente mortal" em países em desenvolvimento.

Este balanço não inclui um caso confirmado pelo governo da Costa Rica na terça-feira (28), apesar de acrescentar a Alemanha e a Áustria à lista de países em que foram identificadas infecções pela forma específica de vírus de influenza A H1N1 que causa a gripe suína. No México, o governo confirma sete mortes, mas investiga outras 152. O número de pessoas infectadas, estima o governo mexicano, pode ser superior a 2.000.

Vacina

Chan chegou a sugerir que os fabricantes de vacinas de prevenção à gripe parassem de produzir a vacina distribuída sazonalmente e passassem a produzir uma eficiente contra a gripe suína. Esse processo, no entanto, levaria de quatro a seis meses e prejudicaria toda administração sazonal, justo antes do início da época de gripe, no hemisfério sul.

"Neste momento, não temos evidências suficientes [do tamanho de uma eventual pandemia] para dar início à produção de uma vacina contra pandemia", ponderou.

Brasil

No Brasil, de acordo com o ministro José Gomes Temporão (Saúde), os dois casos suspeitos de gripe suína são de um morador de São Paulo e o outro de Minas. Outras 36 pessoas que tiveram sintomas da doença estão sendo monitoradas. São pessoas que chegaram de países onde a doença foi registrada e apresentaram algum dos sintomas da doença.

Há pacientes sendo monitorados no Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo.

Segundo o ministro, o Brasil tem matéria-prima para produzir medicamentos para o tratamento de até 9 milhões de pacientes contaminados com o vírus da gripe suína.

Sintomas

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).
 

Folha Online

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