OAB-PB repudia filme do Porta dos Fundos e cobra “providências” por afronta à fé cristã

O filme “A Última Tentação de Cristo”, realizado pelo grupo de humoristas “Porta dos Fundos” e distribuído pela Netflix, tem sido alvo de muitas críticas de setores religiosos brasileiros. A produção mostra um relacionamento homossexual entre Jesus Cristo e um outro homem, Orlando, que representa um personagem do mal, além de um triângulo amoroso entre Deus, Maria e José. O assunto ganhou repercussão também na Paraíba, onde a seccional local da Ordem dos Advogados do Brasil emitiu uma nota de repúdio e ainda cobrou providências a respeito do caso: “Aguardamos que as autoridades competentes tomem as providências que o caso requer, e na medida que a afronta exige, na mesma senda que esperamos que os autores desta violência reflitam a respeito de seus atos, reconhecendo o próprio erro, da maneira mais humilde possível, e façam um reencontro com o seu ofício, e que possam promover humor genuíno como uma maneira de trazer alegria para seus espectadores.”

Confira a íntegra da nota de repúdio:

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional da Paraíba (OAB-PB), por sua Comissão de Direito e Liberdade Religiosa, juntamente com o Fórum Diversidade Religiosa – Paraíba e a Coordenadoria de Crimes de Intolerância Religiosa da Defensoria Pública do Estado, vem perante a sociedade repudiar o que entendemos como uma afronta a fé cristã no filme apresentado pelo grupo Porta dos Fundos, entabulado “Especial de Natal Porta dos Fundos 2019: A Primeira Tentação de Cristo”.

A liberdade de pensamento e de expressão não podem ser usadas para o vilipêndio de um dos valores mais caros para a sociedade como é a religião e, ao apresentar a vida de Jesus Cristo da maneira que está encartada no filme ofende diretamente o sentimento de, aproximadamente, 124 milhões de brasileiros, bem como um número indefinido de devotos de outras religiões que foram ofendidos em trabalhos anteriores do grupo.

Entendemos, também, que nenhum direito fundamental é absoluto e que a a mesma liberdade de expressão não pode ser usada como escusa para práticas desta natureza, pois ao abonar condutas assim amesquinha-se o valor das crenças humanas ao mesmo tempo que abona o que é um claro vilipêndio e escárnio religioso.

Aguardamos que as autoridades competentes tomem as providências que o caso requer, e na medida que a afronta exige, na mesma senda que esperamos que os autores desta violência reflitam a respeito de seus atos, reconhecendo o próprio erro, da maneira mais humilde possível, e façam um reencontro com o seu ofício, e que possam promover humor genuíno como uma maneira de trazer alegria para seus espectadores.

Paulo Antônio Maia e Silva Presidente da OAB -PB

Franklin Smith Carreira Soares (presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa),

Paulo de Assis Ferreira da Luz (Presidente da Comissão de Estudos e Defesa dos Direitos dos Autistas);

Yasmin Oliveira de Mendonça (Presidente da Comissão da Jovem Advocacia);

Klêrysthon de Andrade Carolino (Presidente da Comissão de Combate a Violência Homofóbica e Transfóbica;

Elisa Peixoto de Macedo (Presidente da Comissão de República e Democracia)

Arthur Nóbrega Gadelha (Presidente da Comissão de Fiscalização do Exercício Profissional)

Leilane Soares de Lima (Presidente da Comissão de Direitos Humanos)

Allyson Fortuna (Presidente da Comissão de Prerrogativas dos Advogados)

Magda Schultz Lisboa (Presidente da Comissão de Ação Social )

Saulo Gimenez Ferreira Ribeiro (coordenador geral do Fórum Diversidade Religiosa – Paraíba)

Lycia Maria Pereira do Nascimento (Coordenadoria de Diversidade Religiosa – Defensoria Pública do Estado da Paraíba)

Wisllene Mª Nayane P. Da Silva
(Presidente da Comissão de Justiça Cível)

1 comentário

  • Verioní Bastos
    05:36

    O Brasil se diz laico. A diversidade religiosa é respeitada e deve ser de fórum íntimo. Os ateus devem ser respeitados. Se alguém pode entrar no ônibus público e fazer proselitismo…outro alguém também pode usar um veículo privado (só assiste quem quer) e professar seu ateísmo e liberdade de crítica.
    P.S. Jesus falou algo contra os gays?

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