OAB diz que declarações de Palocci são insuficientes

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, disse nesta sexta-feira (3) que as declarações do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) em entrevista ao "Jornal Nacional", da TV Globo, ainda são insuficientes.

 
Para Ophir, que defende o afastamento de Palocci do cargo, a dúvida sobre possíveis irregularidades na atuação da empresa do ministro só será "efetivamente elucidada" com uma investigação do Ministério Público.
 
"São declarações insuficientes. Essa questão só poderá ser efetivamente elucidada, para saber se houve ou não tráfico de influência ou uso indevido do cargo, se houver uma investigação mais aprofundada e só quem pode fazer essa investigação é o Ministério Público Federal", disse.
 
"Enquanto isso não houver, teremos, de um lado, o ministro tentando dar explicações e do outro os partidos da oposição dizendo que estas foram insuficientes. Ao lado disso, a OAB continua insistindo que o licenciamento do ministro seria a melhor solução. Antes disso, continuamos a entender que há obstáculos de ordem ética e moral para sua permanência no cargo, já que a sua evolução patrimonial não está, ainda, explicada devidamente."
 
Na entrevista, Palocci diz que nunca atuou no governo em favor das empresas para as quais prestou consultoria. Segundo ele, os negócios feitos pela Projeto entre 2006 e 2010, período em que o ministro possuía mandato como deputado federal, eram apenas relacionados a empresas privadas.
 
"Não fiz tráfico de influência, não fiz atuação junto a empresas públicas representando empresas privadas", disse o ministro na entrevista levada ao ar na noite de hoje. "Quero que as pessoas tenham boa fé, que escutem as explicações, que vejam as informações nos órgãos públicos."
 
Reportagem da Folha do dia 15 de maio revelou que o patrimônio de Palocci cresceu 20 vezes nos últimos quatro anos, depois que o ministro fundou a empresa de consultoria Projeto. No período, Palocci comprou um apartamento de R$ 6,6 milhões e um escritório de R$ 882 mil.
 
 
Folha Online

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